- E aí cara, por onde andas?

- Eu sei, eu sei. Sumi, né?

- Porra, e como! Nunca mais deu sinal de vida.

- Sabe como é, acontece. Mas tô de volta, visse?

- De volta o caralho, que tu sempre esteve por aqui que eu sei. No fundo, tu não queria é dar as caras mesmo.

- Querer eu queria, mas…

- Sem “mas” que tu não tem nada que ficar se explicando. Pra mim não, saca?

- Tô ligado, valeu. E o que me contas?

- Aí que tá, velho. Tu sumiu tanto que nem rola mais esse papo de “o que me contas?”, manja? Tá tudo novo, tudo mudado.

- Tanto assim, é?

- É brother. O pessoal mudou, ta todo mundo namorando ou morando fora. Tu fez falta. Não dá de refazer tudo como se não tivesse passado tempo nenhum.

- Não?

- Não.

- E aquele papo de “pra sempre”?

- Não existe esse negócio de “pra sempre”, cara. Nunca existiu. Tipo, é pra sempre, mas não é igual, entende?

- Sei…

- E daí que a vida muda, as pessoas mudam. O tempo passa. Não achasse realmente que tudo ia estar como antes, achasse?

- É, no fundo nós dois sabemos que não.

- Então, velho, é isso aí. Ninguém vive de contos de fadas aqui não. Agora é contigo, meu irmão. Tu tá nessa sozinho.

E ele se virou e caminhou na direção oposta. E aqui, ao meu lado, apenas a sensação de que o mundo nunca pára de girar.