Publicado em Jornalismo

O futuro do jornalismo – Quarta parte.

Com dezenas de participações diferentes, vamos a uma quarta parte do debate. Rogério Kreidlow, um dos melhores blogueiros sobre jornalismo que já encontrei aqui por perto, fez um post e tanto sobre o assunto, que você pode ler aqui.

Defensor do jornalismo bairrista e localizado, ele nos coloca um pensamento muito legal: não é uma grande campanha de marketing com a molecada, rádio e TV que vai mostar que o futuro é agora, se a gente (jornalistas) não fizer o futuro ser realmente agora. O principal atuante dessa revolução é justamente o jornalista:

O maior marketing que qualquer veículo de comunicação pode ter não é corzinha, caderninho, formatinho, interatividadezinha, mas conteúdo bão. Notícia, pauta pensada, reportagem. O que mais vende é isso e não estratégia comercial. Acho que o lance é a gente investir, apostar, criar iniciativas.

Sobre o futuro, a Natália, lá no primeiro post, comenta num tom um tanto ingênuo:

acho bom que assim seja, veja só, imagine quantas árvores serão poupadas.

Marina entra na mesma onda quando responde:

nem que seja pra dar pro cachorro fazer xixi depois. e tenho dito.

Marina, sem dúvidas você está certa. Natália, infelizmente não podemos esperar por isso. O Rogério, no post no blog dele, fala sobre como seria bom se a gente recebesse em casa um “papel digital”, que além da leitura, nos permitisse ver vídeos e ouvir os áudios da entrevista. Isso é uma das poucas coisas que podemos afirmar com certeza nessa discussão: não vai acontecer tão cedo. Pode acontecer? Pode. Mas não vai mudar assim tão cedo.

O jornal de papel vai continuar existindo por MUITOS e muitos anos, não se preocupem. Não sou o profeta do apocalipse dizendo que tudo isso vai acontecer na entrada da Era de Aquário. Os pobres cachorros continuarão a ter onde fazer seu xixi, os peixes ainda terão no que serem embrulhados. Quem gosta do jornal, vai poder continuar lendo as noticias no café da manhã, sujando os dedos de tinta preta e conseqüentemente sujando o papel de margarina.

O Rádio não matou o jornal, a TV não matou o rádio, a TV a Cabo não matou a TV aberta e a TV Digital também não vai matar ninguém. Não é a Internet que vai ser o cavaleiro do Apocalipse. Mas ninguém pode dizer que esses veículos acima citados não foram modificados por seus irmãos mais evoluídos tecnologicamente.

O rádio não é mais a última bolacha do pacotinho, como era na década de 30, e teve que mudar suas funções com a chegada da TV. Assim será em todas as mídias com o advento e popularização da Internet como veículo noticioso.

Natália disse:

basta pergar uma edição de cinquenta anos atrás e comparar. agora tente imaginar uma edição de cinquenta anos a frente.

Thiago Floriano complementa:

Do jeito que estão hoje, perdem em velocidade de informação para rádios, tvs e internet e em opinião para os blogs…

Daniel Costadessouza fecha com chave de ouro:

Quem pega jornal pra ler pode até ler uma só matéria, mas desde que seja bem escrita e mais elaborada do que uma pirâmide invertida.

Viu? Eu não estou aqui para apresentar respostas a ninguém. Afinal de contas, todos nós já temos as respostas, cada um tem um pedacinho. Basta a gente se reunir e discutir as idéias, como estamos fazendo aqui.

E lembrar das palavras de Carlos Eduardo Lins da Silva, no Observatório da Imprensa:

Que sentido faz um grande jornal continuar a dedicar três ou quatro páginas diárias para tratar, por exemplo, de futebol de maneira superficial, atrasada e sem atrativos do ponto de vista do torcedor, que já foi atendido muito antes e muito melhor pelos blogs e programas de rádio e TV especializados no assunto?

Atualização: visite o Monitor de Mídia que publicou ótima reportagem a respeito do assunto:

A saída, segundo o estudo, seria uma mudança radical no conteúdo dos jornais: “Os jornais precisam voltar a investir na análise e na contextualização de todas as notícias. Precisam abandonar a idéia de publicar textos curtos para se assemelhar ou competir com a linguagem da televisão ou da internet. Os jornais precisam de planejamento e continuidade”.

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

4 comentários em “O futuro do jornalismo – Quarta parte.

  1. Os espanhóis que palestraram para RBS ano passado usaram o Circo como exemplo para afirmar que os jornais não morreriam, apenas mudariam.

    Vejo dois futuros para o jornal impresso. Aquele “classe A” com matérias bem escritas (como disse o Daniel), com doses altas de literatura voltados para quem gosta mesmo de ler e o POPULARESCO DE LABORATÓRIO no estilo Hora de SC. Na Europa este tipo de jornal é distribuido gratuitamente, o Brasil em breve fará o mesmo!

    Popularesco de Laboratório: s. f. Jornal voltado para classes populares pesquisado e estudado por uma grande empresa antes de ser colocado nas bancas; jornal popular que não é o Diarinho.

  2. no mercado da comunicação é difícil que um meio seja totalmente extinto. a força pode diminuir, mas chegar a extinção é muito difícil.

    se nós vamos trabalhar pra limpar xixi de cachorro ou pra fazer um mundo melhor? pô, pergunta difícil.

  3. Queria incrementar o debate, mas a cabeça tá zerada por hoje. Preciso descansar. Mas legal mantermos o debate. Legal seria juntar um povo desse pra papear, um dia. Jogar conversa fora. Aqui a gente se obriga a raciocinar mais. Nem sempre tá com disposição pra isso.
    Abraços a todos
    Rogério Kreidlow

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