Publicado em Jornalismo

Caso Isabella Nardoni

Sim, eu sou mais uma dessas pessoas que faz questão de bater na tecla mais batida do noticiário brasileiro. O caso Isabella Nardoni. Não estou aqui para mostrar as fotos da menininha morta, trazer novas pistas ou defender/acusar ninguém. Quero apenas questionar a forma com que a mídia tem tratado do tema.

Resumo a minha argumentação com base nesta entrevista feita pelo jornal O Globo. Nela, a dona de casa Rose, com quatro filhos, diz:

A gente aqui tinha o Big Brother Brasil 24 horas por dia. Terminou o BBB e começou a história da Isabella.

Substituiu uma coisa por outra. A comparação não é feita pelo repórter, por um jornalista, crítico social, ou por mim. É feita pela própria dona de casa, pela própria família brasileira. Ela não sabe mais distinguir o que é tristeza do que é felicidade. O que é entretenimento do que é assunto sério. Esse circo montado pela mídia fez com que ela acompanhe o caso Isabella da mesma forma que acompanhava o programa global.

Primeiro, todos queriam saber quem matou Thaís, aquela da novela. Apostavam em seus culpados e seguiam as pistas para descobrir o verdadeiro assassino. Depois apostavam em quem seria o vencedor do BBB, quem ficaria com quem, quem o líder iria indicar. Agora, apostam em quem matou, como foi a morte, se ela apanhou ou não.

Aí, chegamos em mais um fato marcante. A entrevista do pai e da madrasta de Isabella ao Fantástico, neste domingo. O Brasil inteiro congelou em frente a TV para acompanhar os 35 minutos de entrevistas, inclusive o intervalo comercial que separou-a em duas partes. Cada um se revoltava como preferia no sofá. Largaram xingamentos, juras de morte e deixavam claro que não havia dúvidas de que não acreditavam no casal.

Daí a Globo dá o golpe final. No Jornal Nacional de segunda-feira, peritos analisam a entrevista e lançam o veredicto: eles estavam mentindo.

A mídia brasileira não precisa de provas, não precisa de evidências. Ela escolhe seus culpados e sentencia-os à morte, mesmo que não exista pena de morte no Brasil. A polícia ainda não condenou o casal, mas a VEJA já trouxe o rosto deles na capa, dizendo FORAM ELES.

E agora? E se eles realmente forem inocentes (também não acredito nessa hipótese, mas sempre há uma hipótese e devemos respeitá-la)? A polícia não precisa mais condenar ninguém. Eles já foram condenados pelo 4° Poder, e estão fadados a morrer nas mãos da população, caso sejam libertados.
Apenas para fazer pensar nos limites do nosso julgamento precipitado, lembrem do caso de Guilherme Fiuza, escritor do livro Meu Nome Não é Johnny:

No dia 2 de julho de 1990 meu primeiro filho, Pedro, caiu do oitavo andar do prédio onde morávamos, em Botafogo.(…) Foi longo o tempo até encerrar esse processo insano e provar que os vizinhos tinham delirado. Mas foi muito rápido, instantâneo, o castigo imposto pelos homens da lei, de mãos dadas com os vizinhos diligentes: ser tratado como suspeito da morte do próprio filho.(…) Nada disso dá direito à sociedade de invadir a vida de uma família com a sua curiosidade mórbida e a sua estupidez.(…) Se não é possível à coletividade imaginar na sua própria pele o ardor da tragédia, já seria um belo avanço civilizatório se ela entendesse, de uma vez por todas, que a vida (dos outros) não é um Big Brother.

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

7 comentários em “Caso Isabella Nardoni

  1. É Isabella pra cá, Isabella pra cá, que eu resolvi não comentar o assunto no Controvésias, nem mesmo para criticar a imprensa.

    Já diria o Mino Carta, temos a pior imprensa do mundo
    Já diria o Boris Cazoy, é uma vergonha!

  2. Pois é meus caros a sociedade brasileira não distingue o que é realidade do que é entretenimento, o caso desta garota é o exemplo mis claro da ignorância em nosso país!
    A impressão que tenho é que mais nada acontece no mundo, pois a mídia não fala em outra coisa e muito menos deixa que alguém pense por conta própria!
    Virou realmente um Big Brother, eu não preciso saber a que horas fulano saiu da casa dos Nardoni ou que horas siclano chegou, quero que no final os culpados sejam condenados exemplarmente, seja quem for!
    Não sou juiz e nem estou no juri, então o mundo continua a girar e tem mais coisas acontecendo que preciso saber, além de no final e somente no final, saber quem matou a garota e não ficar brincando de detetive com a desgraça alheia!
    Abraços!

  3. Depois eles têm a cara de pau de dizer que a imprensa é imparcial! Só querem vender um produto, da mesma forma que uma indústria. Já pararam e imaginaram uma linha de montagem?? Sistema alienante…

  4. Acabei de fazer um post com algumas perguntas que me rondam, nos últimos dias, diante deste reality show mórbido. Mas tudo bem, agora a cobertura “jornalística” (se assim ela pode ser chamada), aliviou um pouco graças a um padre doido que resolveu voar com balões de festa e caiu no mar e a terra que resolveu tremer.
    Tlvz logo outro caso de homicídio ou quem sabe outro big brother comece e todo mundo esquece o resto, novamente, como sempre…
    Mas a vida do casal acusado (que desde o início é tratado como culpado) acabou. Assim como o caso da Escola Base, em 1994.

  5. É isso aí pessoal… precisamos lutar
    para descobrirmos algo e o que aconteceu no caso da garotinha Isabella Nardoni… Vamos lutar com todas nossas forças, investigar, tentarmos descobrir quem que fez essa injustiça com uma menina tao linda, angelical como ela…
    Espero que Todos que irao ler isso nao fiquem só comentando o que aconteceu e quem acha que fez isso mais lute para descobrir…

    Abraços, Fiquem com Deus,
    e pode ter certeza que
    Deus nos dará sabedoria para descobrirmos
    essa injustiça…

    Bianca

  6. O problema desse casos é que a mídia faz um circo ao redor. as pessoas riem, comentam, mas não refletem!
    Já o padre, bem eu nem sei o que dizer… o.O
    hauihauihauihauaihuia

    ps. gostei da sua parodia

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