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A arte de não fazer nada

Entrevista de grande interesse apareceu este mês na revista Superinteressante. O Escritor inglês Tom Hodgkinson defende que um bom estilo de vida está longe daquelas 8h a 10h diárias de trabalho, sem folgas, desculpas ou relaxamento. Ele mostra que esta é uma visão antiquada, que joga contra na corrida pela qualidade de trabalho.

Tom mora no campo, trabalha cerca de 3h por dia e passa a mior parte do seu tempo na cozinha, lendo, tocando cavaquinho, fazendo pães ou demorando cerca de 2h para lavar a louça. E ele é enfático ao dizer que  o melhor jeito de você ser feliz e até mudar o mundo, é deixar de sentir culpa por ter preguiça. “Já existe muita gente gente fazendo coisas demais. Se você deixar de fazer tanto, já vai colaborar”, sentencia. Sentiu o drama?

A entrevista começa por um erro bastante grave, principalmente no Brasil: a pressão que os jovens sentem ao prestar o Vestibular, e ter de definir, ali, todo o seu futuro profissional. Tom defende que eles deveriam parar e pensar por alguns anos, o que de certa forma faz um grande sentido. Assim, quem sabe, teríamos menos gente infeliz fazendo algo que não gosta.

Empregos de 8h?

Este é o lado negativo da preguiça. Mesmo em ambientes de trabalho mais modernos, é comum você se perceber às 14h, tendo que ficar no escritório até às 18h e sem nada pra fazer. (…) Qual é o problema de chegar uma hora atrasado no trabalho porque você está de ressaca? Sei que terei que ficar até mais tarde de qualquer forma, chegando ou não atrasado. A única coisa importante é o prazo final de entrega. Por isso é melhor trabalhar para realizar uma tarefa específica, e não pelo tempo que o funcionário passou na empresa.

Ele deixa claro que não devemos deixar de trabalhar, apenas parar de considerar o emprego um fator tão importante na vida. Diminuir suas jornadas de trabalho, aprender a relaxar, e aceitar que o trabalho não é o ponto mais importante de nossas vidas.

Ele encerra afirmando que seu próximo objetivo é gostar de lavar louça. Por que todos odiamos lavar louça? Se ligarmos o som bem alto, numa música que gostamos muito, e  passarmos a tarde interia lavando louça, pode ser muito divertido. É o caso de aproveitar o momento, e fazer o possível para se divertir com aquilo.

Então troquem seus empregos de 10h seguidas por um de 4h – 6h, esqueçam as academias de ginástica em troca de uma corrida ao ar livre e de uma boa pescaria, as aulas de yôga por uma simples meditação no parque da cidade.

Esqueça do mundo por alguns instantes. E simplesmente, não se preocupe do nada.

Quem sabe não está aí a tão procurada receita para a felicidade?

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

6 comentários em “A arte de não fazer nada

  1. Não necessariamente diminuir a cara horária, mas saber usar bem as horas de folga, ou seja, para não fazer nada também. É barato e faz bem a saúde.

  2. “esqueçam as academias de ginástica em troca de uma corrida ao ar livre e de uma boa pescaria, as aulas de yôga por uma simples meditação no parque da cidade.”

    e dá-lhe ramiroooooooo!!!

    hehehehehhe

  3. e sobre o ócio…ler “O Ócio Criativo” do Domenico De Masi realmente vale a pena. Um outro que lí no ano passado que prega o Slow Movement é “Devagar” de Carl Honoré. Feito por um jornalista. Bem legal. Tem na Furb.

  4. é imnpressionante: se ficamos uma hora a mais no trabalho,é porque o emprego exige e fomos nós que escolhemos aquele emprego, se não quiser peça demissão e arranje uma função que não exija tanto, e no fim, todas as funções exigem que a gente fique mais comprometido do que o previsto quando pegamos o emprego. Mas, se o lazer exige uns minutos a mais qual]isquer 10 de atraso na chegada ao trabalho nos marcam como relaxados e descomprometidos, enfim, uns incompetentes. A máquina está vencendo, por pura falta de senso crítico do povo.

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