Publicado em Contos

Reencontro

– E aí cara, por onde andas?

– Eu sei, eu sei. Sumi, né?

– Porra, e como! Nunca mais deu sinal de vida.

– Sabe como é, acontece. Mas tô de volta, visse?

– De volta o caralho, que tu sempre esteve por aqui que eu sei. No fundo, tu não queria é dar as caras mesmo.

– Querer eu queria, mas…

– Sem “mas” que tu não tem nada que ficar se explicando. Pra mim não, saca?

– Tô ligado, valeu. E o que me contas?

– Aí que tá, velho. Tu sumiu tanto que nem rola mais esse papo de “o que me contas?”, manja? Tá tudo novo, tudo mudado.

– Tanto assim, é?

– É brother. O pessoal mudou, ta todo mundo namorando ou morando fora. Tu fez falta. Não dá de refazer tudo como se não tivesse passado tempo nenhum.

– Não?

– Não.

– E aquele papo de “pra sempre”?

– Não existe esse negócio de “pra sempre”, cara. Nunca existiu. Tipo, é pra sempre, mas não é igual, entende?

– Sei…

– E daí que a vida muda, as pessoas mudam. O tempo passa. Não achasse realmente que tudo ia estar como antes, achasse?

– É, no fundo nós dois sabemos que não.

– Então, velho, é isso aí. Ninguém vive de contos de fadas aqui não. Agora é contigo, meu irmão. Tu tá nessa sozinho.

E ele se virou e caminhou na direção oposta. E aqui, ao meu lado, apenas a sensação de que o mundo nunca pára de girar.

Anúncios

Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

7 comentários em “Reencontro

  1. Ah, é, aconteceu comigo também. Quase a mesma coisa, só que tipo, não era essa “grosseria” de “vá se danar, você sumiu e agora não pertence mais aqui”. Foi só percepção, com os diálogos e tal.

    ;P
    Legal né? Duas coisas semelhantes em um espaço distante.

  2. Ai.
    Senti cada pêlo do meu corpo eriçar-se com o que li. Passo pela 470 todos os dias, de segunda à sexta. E revolto-me com a imprudência dos motoristas, principalmente, com os motoristas que carregam outras vidas dentro de um veículo de morte.

    E, senti mais arrepio ainda, pelo fato do namorado ter sobrevivido a um desses acidentes, mas não na BR. Na SC-470.

    Beijo meu *:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s