Publicado em Contos, Literatura

Tempestades Passageiras (ou um tributo às não-histórias)

Toda tempestade é passageira, já disse o velho marujo. Se ela chega carregada de coisas ruins, de dores e falta de ar, uma hora ela chega ao fim, trazendo de volta a beleza do céu azul. Mas se ela chega carregada de coisas boas, como um sopro de vida no tedioso dia-a-dia sem paixão, uma hora ela também chegará ao fim. E abrirá suas nuvens para o mormaço que não esquenta, mas queima.

Os opostos se atraem, mas não se mantém. Duas mentes completamente diferentes não podem sobreviver tanto tempo uma ao lado da outra, e continuarem se entendendo. Elas podem até durar três semanas, três meses, três anos, mas nunca duram para sempre. Uma hora, o encantamento pelo diferente, pela novidade, dá lugar à vontade do aconchego do igual. Da vontade de concordar com o que o outro diz. Da vontade de gostar dos mesmos filmes, beber das mesmas bebidas e discutir na mesma frequência.

E aquelas três semanas (meses, anos) chegam ao fim. E machucam todos os envolvidos. E dão lugar a uma nova história. Uma história mais cúmplice, mais igual, mais recíproca.

Que, inevitavelmente, vai terminar com o sofrimento de todos os envolvidos.

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

6 comentários em “Tempestades Passageiras (ou um tributo às não-histórias)

  1. Acho triste, inevitavelmente. É naquelas: sad, but true. E o mais interessante é que sempre tem uma parte que me quebra feito machado no meio do peixe, dessa vez é essa: “Da vontade de concordar com o que o outro diz. Da vontade de gostar dos mesmos filmes, beber das mesmas bebidas e discutir na mesma frequência.”

    Um beijo.

  2. Nesse caso, as não-histórias dão lugar a bonitas histórias. Que são histórias, sim. Mesmo com duas semanas, ou três.

  3. A transformação está inerente ao amor. Mas somos tão apegados aos nosso eus empoeirados que dói.
    Mesmo penando, é lindo enxergar a cada dia coisas que não víamos antes, apesar de parecer que sempre estiveram lá. E que talvez amanhã sejam substituídas por outra nova perspectiva.

    Enfim, o consolo é que, mesmo na dor, a vida pode continuar sendo poética ;)

    …divagando… rsrs

    Gostei de ver seu blog. E parabéns pelo novo livro e novo emprego, que beleza!

    Beijo,
    Mi.

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