Publicado em Comunicação, Jornalismo

O fim do jornal impresso – Mais do Mesmo

A discussão sobre o fim do jornal impresso é datada, já. Até cansou. Eu mesmo, já explorei esse assunto aqui mais vezes do que seria agradável. Mas como isso aqui não é um espaço exclusivo de literatura emo (ou brega, como diria o Félix), volto a tocar um pouco no assunto.

Por uma série de motivos. Um deles é as perguntas cada vez mais frequentes de meus alunos a respeito disso. Já me perguntaram sobre isso em palestras em faculdades, em aulas de radiojornalismo e em programas de entrevistas. Já me perguntaram isso no corredor da escola, depois da aula, em mesas de bares e numa viagem de automóvel. E hoje, o Digestivo Cultural traz essa discussão novamente à tona apresentando uma série de artigos, cada um com uma visão bastante única do caso.

Julio Daio Borges diz que os jornais não vão acabar. Eles já estão acabando. Isso não é algo que devemos nos preocupar no futuro, é algo que já está acontecendo e não tem mais volta, de acordo com o editor. E muitas coisas levam ele a pensar isso. Como já escrevi aqui em outras ocasiões, o New York Times está sufocado por dívidas, caminhando em direção da falência.

Um dos meus alunos das aulas de Locução para Rádio e TV, lá na Viax Educação, me perguntou logo no primeiro dia de aula se era verdade que o rádio estava morrendo. Bem, pensando de forma ampla e sem amarras, estamos todos morrendo, não é verdade?

Mas não estou dizendo que é o fim do rádio, ou do jornal impresso. Calma lá, uma coisa de cada vez. O que estou afirmando é que ambos estão caminhando para um futuro diferente do que o que viveram até então. Ambos continuarão existindo, mas precisarão se adaptar a uma nova situação de vivência, a novos meios, a novas formas de trabalho. E isso é urgente.

A televisão não matou o rádio, o cinema não matou a televisão. O CD não matou o vinil, o mp3 não matou o CD. Mas todos eles tiraram força dos que vinham antes deles, que tiveram que se reinventar.

E o que vai acontecer?

Vale repetir: mesmo os sites mais lucrativos da internet no mundo não têm como pagar a conta das redações de jornal. Logo, os jornais têm duas opções: ou morrem, como veículos, com suas redações inchadas; ou se resumem à versão on-line, cortando a velha redação e se reestruturando com uma nova redação (enxuta).

Pooooooor outro lado, vale lembrar que nem tudo é assim tão apocalíptico. Diogo Salles explica melhor do que eu, no próprio Digestivo Cultural:

É muita ingenuidade acreditar que, mesmo que os jornais acabem, os grandes grupos de mídia também vão acabar. Isso mostra o quanto essa discussão ainda é turva e como confundem o fim dos jornais com o fim do jornalismo. A única coisa que está em xeque é o papel como suporte para o jornalismo.

Não é o fim do jornalismo, minha gente. É o fim do jornal impresso. Lembrem-se sempre disso, pois não é o fim do mundo. É apenas a evolução dele. Isso tudo num período como este que estamos passando na nossa região, diz muito. Está aí o novo Santa On line que não nos deixa negar.


Atualizado às 15h30min:

Por fala no Santa, acabei de assinar os feeds de RSS de sete dos blogs do jornal. Recomendo.

Anúncios

Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

14 comentários em “O fim do jornal impresso – Mais do Mesmo

  1. O jornalismo impresso não vai acabar, mas a maioria dos jornais em ciruculação vão “pro pau” com certeza. Isso ocorreá a medida que a internet for invadindo as classe mais baixas, as cidades mais distantes.

    Internet é mais barato, mais prático, melhor para quem é pequeno. Basta o povo estar online. Impresso, só os grandes sobreviverão!

  2. Os jornais diários vão acabar. As revistas, não, pela utilidade como arquivo e pela portabilidade. Com papel-jornal e notícias feitas pra durar um dia, que ancião maluco e viciado em tinta de impressora pode querer?

    Evolução! O salto histórico da invenção da internet é tão grande quanto o da invenção da escrita.

    abraço!

  3. Evolução? Acontece que, na a internet, eu já não tenho tanta certeza de que o que será feito é jornalismo. Por exemplo, quando uma pesquisa revela que blogueiros acreditam que, de alguma forma, estão produzindo jornalismo. Porém, sem formação, recursos e credenciais. E quando não de pijamas, com fotos de celular e fontes sem o menor crédito. É um problema muito mais grave do que seria decretar simplesmente a morte do jornalismo off line. A teoria do agenda-setting, como sabemos, demonstra a capacidade dos veículos de comunicação de massa em pautar para a sociedade os temas de debate e de boa parte das interações do cotidiano (comentários, discussões). O que vai acontecer num contexto de descompromentimento no trato com a informação pública, que invariavelmente aponta para um prejuízo no discurso civil público e solapamento da cidadania? A revolução digital, ao contrário do que temos imaginado, eufóricos com a Web 2.0. poderá destruir nossa economia e valores. Fábio, acrescenta ler o recém lançado Andrew Kenn.

  4. Creio que o jornal impresso, no futuro, será quase 100% voltado para os assinantes. Os conteúdo será padronizado, de acordo com o gosto do cliente. Cada um recebe em casa exatamente o que quer ler, enquanto a versão completa estará na internet.

    A propósito, assinaste TODOS os RSS do Santa? Até o do Holzer?! uahuahuaha!!

  5. Natáli, o desleixo com a informação está por toda parte. Comece uma capmanha de divulgação de um projeto seu , monte um blog próprio e mande releases para jornais. Adivinha onde vai estar a informação mais confiável? Acertou: no teu blog, feito de pijama, e independente de qualquer credencial.

    O diploma nunca foi um atestado de bom jornalismo. Todos contamos histórias, e a confiança no teor delas vem com o tempo, conforme conhecemos alguém. Amigos meus podem me chamar de gay que acho engraçado, se outros disserem o mesmo será diferente. Não é por diploma em sexualidade, mas porque conheço a maneira como falam.

    e viva os blogs!

  6. Concordo que diploma não faz bom jornalismo, mas talvez formação, o que é bem diferente, além de recursos, expertise, credencial… Há muito tempo eu disse “e viva os blogs!” e voltei com o rabo entre as pernas, por que não gostei do que vi: 1 bilhão de verdades personalizadas. Não significa que sou inimiga da revolução digital. Mas talvez lhe ocorra o mesmo no momento em que descobrir que eu posso ter um projeto obscuro em blog e não me chamar Natália, por exemplo, o que não seria nada confiável. Grande abraço!

  7. Creio que não haverá um fim para o jornal impresso, essa é a minha verdade e acredito decretar o fim do jornal impresso isso é ridículo! Aproveitemos para discutir isso com muito Chopp. E quanto a diplomas de jornalismo minha vizinha é a fofoqueira mais conhecida da região a ela cabe um diploma, pois quando uma costureira não consegue enfiar uma linha na agulha, basta falar “é a língua da Ester” e pronto se resolve o problema. a diferença que há entre mim e ela é que eu publico impressos.

  8. Perpetre, sério que você considera a sua vizinha fofoqueira tão digna de um diploma acadêmico quanto você, jornalista diplomado?

    Sério mesmo?

    Tenho pena dos teus professores.

    (se é que você realmente é um jornalista diplomado, no caso).

  9. É Fábio apesar desse assunto ainda incomodar algumas pessoas que insistem em não ver a realidade de hoje, a verdade é que não se está decretando o fim do impresso como algumas pessoas acham. Revistas e livros são temáticos e transmissores de pesquisas; no caso dos livros ainda podem ser de ficção e isso lhes dará um pouco mais de vida; mas, o jornal impresso, como transmissor de notícia já está atrasado e diante das novas tecnologias vai ficando esquecido. Eu me formei em jornalismo em 2011. O tema que escolhí para o meu trabalho de conclusão de curso (TCC) foi: “O futuro do jornal impresso como fonte de informação”. Mesmo contrariando a opinião dos meus professores, minhas pesquisas indicaram que o impresso “jornal” tende a perder popularidade, consumo e consequentemente, interesse de investidores dessa área em continuar produzindo jornal impresso. As novas gerações já nascem conectadas à internet, e, como os leitores de jornais (em sua maioria pessoas com mais idade) não viverão eternamente, o produto jornal impresso tende a ficar encalhado nas bancas. A gratuidade, a redução do formato (de standard para tabloide) já foram alternativas para tentar segurar os leitores. Lamentável para os mais apaixonados por leituras de jornais, mas, a tendencia é que esse produto cada vêz mais deixe de ser produzido. Li recentemente que o Lloyd List (Londres) com quase 300 anos de existência vai encerrar sua publicação impressa em dezembro de 2013. O mesmo já aconteceu outros jornais tradicionais em diversos países. Nos resta manter a gratidão a Gutenberg pela invenção da prensa, e aceitar a nova realidade dos meios de comunicação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s