Publicado em Comunicação, Jornalismo

Fim da obrigatoriedade do diploma no jornalismo

A discussão no post ali debaixo sobre o fim do jornalismo impresso continua boa (obrigado Daniel e Natália por ajudarem a discutir o assunto, e todo pessoal que comentou e está comentando). Mas agora me sinto na obrigação de trazer o assunto à tona novamente, por um motivo bem simples. Na noite de ontem, o Supremo Tribunal Federal deu a ordem: jornalismo não é mais profissão.

Algo nessa linha, mas deixa eu explicar melhor. Com 8 votos a 1 (palmas para o senhor ministro Marco Aurélio Mello), foi decidido que não é mais necessário diploma de jornalismo para se trabalhar com qualquer forma de jornalismo. TV, rádio, internet, impresso, tanto faz. Ter ou não ter cursado uma faculdade não faz mais diferença nenhuma (na teoria, quero deixar claro… já vamos entrar em detalhes).

As discussões vão longe, então vocês podem ler sobre elas em qualquer lugar da internet (no twitter só se fala nisso). Por isso, aqui eu vou me ater em mostrar o meu ponto de vista.

Não é o fim do mundo. Eu continuo sendo jornalista tanto quanto eu era antes. A partir de hoje a profissão jornalística pode ser exercida por qualquer pessoa, até por quem nunca estudou na vida. Mas fala sério, você, jornalista, que passou de 4 a 5 anos estudando pesado, se esforçando para melhorar e buscar fazer a diferença no nosso jornalismo, está com medo de alguém que nunca estudou?

Eu não acho que eu escreva pior, ou que tenha menos chances de ser empregado do que uma pessoa que nunca estudou na vida. É óbvio que isso pode acontecer. Mas se o cara nunca estudou e é um jornalista tão bom quanto qualquer um que tenha passado cinco anos numa universidade, ok, acho que ele merece ser contratado, afinal de contas a empresa achou uma mina de ouro. Quem sabe, depois a empresa não paga uma faculdade pra ele, fazendo com que ele se torne ainda melhor.

Eu continuo achando as faculdades de jornalismo válidas. Não fiz a minha pensando em receber o diploma, e sim em aprender. As vivências e aprendizados que tive nos quatro anos e meio de Univali não cabem num pedaço de papel A4.

É isso. Sou contra o fim da obrigatoriedade do diploma. Mas não creio que seja o fim do mundo. Não há muito o que se espernear. Apenas continuar estudando para ficarmos cada vez melhores, e garantirmos que estas vagas serão sempre nossas.

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

13 comentários em “Fim da obrigatoriedade do diploma no jornalismo

  1. Cara, ótimo post.
    Não tenho o que tirar nem por. Principalmente por eu enxergar a coisa de fora da área.

    Sei lá, pra mim, tá perfeita a tua opinião.

  2. opa. Tá errado isso. O STF não disse que jornalismo deixou de ser profissão. Nada a ver isso. Disse que não é mais necessário o diploma para exercer essa profissão, o que é bem diferente.
    Sou Publicitário, no sentido que trabalho com isso e sou formado em Comunicação Social, habilitado em PP. E a despeito de não ser exigido o diploma para ser publicitário, a profissão existe.
    Da mesma forma, está errado quem pensar que o diploma de Jornalismo não vale nada agora. Vale sim, tanto quanto o diploma de publicitário ou o de informática. Só que nada impede uma empresa de contratar o sobrinho para fazer uma logomarca, ou pra fazer um sistema de pedidos. Mas na real, eu nunca perdi clientes para sobrinhos.
    Exigir diplomas para certas profissões é uma coisa que existe para proteger a sociedade, não os profissionais. E exigir diploma para exercer o jornalismo só favorecia (e muito porcamente ainda, já que nem o Willian Bonner tem diploma, por exemplo) os formados em Jornalismo. Com a internet, isso ficou ainda mais anacronico. A rigor, qualquer um poderia ser acusado de exercício ilegal da profissao ao abrir um bloq e pôr-se a ganhar dinheiro com o googlesense através de matérias que mostrassem fatos ou notícias exclusivas.
    No fim, vale a máxima: quem tem medo da concorrencia não especializada, que vá trabalhar na roça.

  3. que vá trabalhar na roça, exatamente!
    e qto ao inicio do seu comentário, achei q tinha me feito entender, pô… é óbvio que a profiss~~ao em si continua existindo… foi modo de falar…

  4. E aí Fábio, beleza cara?

    Muito bom esse post! Tens toda a razão. Quem é bom merece ser reconhecido, tendo diploma ou não. E quem é bom não tem o que temer.

    Grande abraço!

  5. Hum. Incomoda-me menos o que meus colegas pensam a respeito do problema: ter ou não ter diploma, ser ou não ser bom. Acho ridículo até, muito mesa de bar depois do expediente. Acontece que a sociedade brasileira não sabe que sofreu um golpe, ao passo que dada emissora resume a questão em “vamos continuar contratando os formados”, sendo que o assunto é tão mais importante do que gripe suína e avião desaparecido (ou deveria ser). Não consigo alcançar os motivos obscuros que tenham levado a obrigatoriedade do diploma em jornalismo ser julgada absolutamente dispensável no STF. Por que não o diploma de medicina, por exemplo? Ora, se ninguém concebe um médico sendo substituído numa sala de cirurgia, inclusive é julgado criminoso quem o se atreve, me incomoda que não o façam pelo jornalista, profissional que lida com a informação pública, capaz de construir o discurso civil e a cidadania. Vejo que tenho muito que espernear, e bem menos porque tenho um diploma.

    Beijo, Fábio!

  6. Ah, Fábio, desculpas. Ontem eu não estava bom para ironias.

    Para a Natália, eu reafirmo: exigir diplomas para certas profissões é uma medida para proteger a sociedade, não o profissional.
    Um médico sem formação mata. Um engenheiro sem formação também. Um jornalista sem formação será desmentido de pronto.

    O que eu acho que falta agora é dar a permissão para que as pessoas possam dispensar um advogado e se defenderem sozinhas, se quiserem. Nos EUA isso é possível, mas aqui não. Da mesma forma, as pessoas devem ter a opção de recusar tratamento médico ou de optar por um xamã, se quiserem.

    Por fim, eu sou formado em Comunicação Social e já perdi um emprego de diagramador (basicamente usar Indesign e Photoshop) porque não tinha a carteirinha de jornalista. Eu tinha formação, experiencia, vontade e tinha convencido o contratante, mas perdi a vaga por causa de uma reserva de mercado (sendo que eu poderia ter forjado meia duzia de documentos e conseguido uma carteirinha, mas não é esse o meu estilo).

  7. É isso aí, Fábio.

    A Natália aponta uma questão importante: a falta de conhecimento da sociedade sobre o que seja o jornalismo e quais os prejuízos de uma imprensa mal preparada ou corrupta.

    Nosso grande desafio é convencer os consumidores de nossas informações da importância da informação e da necessidade de qualidade no exercício do jornalismo.

  8. Tem pessoas bastante capacitadas para o Jornalismo sem fazer faculdade, necessariamente. Ainda assim. não desisto dessa possibilidade querer ser jornalista, com diploma e tudo. O estudo, o esforço todo vale muito a pena.

  9. Que a discussão forme jornalistas menos cagões pra que as empresas percam poder diante dos funcionários e os salários e condições de trabalho se tornem mais justos!
    Mais greves e mais opinião no jornalismo! Vote Chapa Quente!

  10. Rui, mau jornalismo também mata. Mata socialmente uma pessoa, tira as chances de um político ético de ser presidente, entre outros. A ideia da faculdade, é melhorar a formação dessas pessoas, para evitar problemas no futuro.

    O Brasil não é a Europa. Aqui, precisamos sim, ser mais rigorosos quando o assunto é educação.

  11. Gostaria de saber o que um diplomado em jornalisto sabe a mais que uma pessoa formada em outra coisa não sabe.
    Teoria talvez… Mas na prática?
    O que o jornalista formado tem que o jornalista não formado não tem?

  12. Georgia, acho ou que você tem um desprezo muito grande por jornalistas, ou está apenas querendo inticar, ou então é mesmo muito inocente. Uma das três opções.

    O que o jornalista formado tem que o não formado não tem?

    Que tal começar pelo conhecimento?
    Você deixaria um médico iniciar sua carreira na medicina mesmo sem nunca ter estudado nada a respeito? Não estou falando de quem jah é médico há aaaaanos, assim com nao estou falando dos jornalistas de carreira, que jah atuam antes mesmo de surgirem as aculdades de jornalismo.

    Estou falando de um jovem que decide de uma hora para outra: vou trabalhar com jornalismo.

    E só pq tem um blog (e olha que eu sou um grande defensor dos blogs) acho que já pode fazer jornalismo.

    Não, você preciso estudar e aprender muita coisa antes de atuar em qualquer profissão. Se um pedreiro faz uma coisa só pq ele acha que dá certo, ou um uqalquer disse para ele que dá certo, e depois vai saber que não dá, vai atrapalhar muito a vida de uma família, que mora naquela casa.

    Se um jornalista, formador de opinião de um grande jornal com muita leitura faz uma cagada no mesmo nivel, não eh soh uma família que vai sofrer. É bem provável que seja toda a sociedade.

  13. Fábio, acho que nem tanto o céu, nem tanto a terra. A profissão de jornalismo é importante sim pela própria natureza acadêmica, capaz (como se isso fosse mesmo líquido e certo) de fazer o aprendiz bem intencionado envolver-se com temas que podem (ou pelo menos deveriam) nortear sua carreira.
    Por outro lado, existem profissionais de outras áreas que são tão ou até mais responsáveis, éticos e capazes do que muitos jornalistas que frequentam o mercado (estou falando em âmbito de Goiás, onde reina a imprensa gratuita no sentido mais lato do termo). Assim como existem sujeitos obtusos e incorretos, espertalhões e incapazes, em todas as profissões.
    Se o jornalista, discursivamente, oferece uma visão da sociedade ou uma visão interpretada dos fatos sociais, disso também são capazes muitos que possuem talento, nato ou desenvolvido no processo, para a escrita e a perspicácia para “perceber” a vida.
    É claro que muitos poderão valer-se da não-obrigatoriedade de curso de jornalista. Inclusive eu que, quando fazia 2º grau, já estava metido numa redação, disputando espaço com jornalistas formados e que ganhavam, até por certo merecimento muitas vezes mais. Hoje, formado em outra área, inclusive com pós-graduação em nível de especialidade e mestrado, meti-me novamente numa redação para discutir os fatos da sociedade e não vejo por que não poderia fazê-lo. O que me levou a isso foi o fato de perceber em minha cidade a qualidade dos periódicos construídos por profissionais chinfrins (e olha que são jornalistas formados, muito embora estúpidos, corruptos e anti-éticos sob todas as medidas) que fazem do jornalismo uma agenda política dos agentes públicos e que estão orientados para dar aos fatos sociais um contorno positivo.

    Um abraço e espero não ser mal compreendido.

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