Publicado em Contos, Duelo de Escritores

Pau rosa

É infecção, disse o doutor. Porra, infecção? No pau? É muita merda junta. Só me faltava essa. O pior é que arde. E coça. Duvido eu conseguir comer alguém com o pau rosa desse jeito. Eu tinha que dar um jeito. Nem fodendo que vou ficar duas semanas sem dar uma só por causa de um pau rosa. Tenho que dar um jeito. Talvez no escuro, sem acender a luz, a mina nem perceba. Mas o pior é que essa merda tá fedendo. Duvido que alguém vá aceitar colocar isso na boca. Quer dizer, a Cacá coloca qualquer coisa na boca. Mas tô fora, se bobear foi da Cacá que eu peguei essa porra dessa infecção. Melhor não arriscar. Argh, saco, não para de coçar. O doutor disse que não pode coçar, que senão espalha. E só me faltava, além de ter o pau rosa, ter o saco rosa também. Tá queimando, demônio. Imagina se isso piora. Não, não tem como ficar pior que isso. Só se meu pau cair. Imagina só, o pau cair. Que coisa bizarra. Um cara sem pau ia viver como? Absurdo! Como será que faz pra mijar? E não vai comer mais ninguém. Capaz do cara ter que virar viado só porque o pau caiu. Ah, mas pau não cai assim não. E aquela mulher que cortou o pau do ex-namorado fora porque descobriu que ele tava chifrando ela? Foda. Imagina só o cara acordar e ver que não tem pau. Acho que eu me matava. Foda, me matava mesmo. Pára de doer, desgraça. Já sei, vou pegar aquela bolsa que o doutor mandou colocar pra gelar o pau. Isso, tá aqui. Tá, que merda é essa? Nem é gelado. Ah, bosta, tem que colocar no freezer. Tá, e agora? Já sei, vou tomar aqueles remédios pra infecção. Diz o doutor que é forte, vai dar resultado. Vamos ver, cadê aquelas pílulas? Porra, onde eu coloquei. Jurava que tava no sofá. Cadê? Olha, achei 10 centavos. Hum, merda, cadê? Achei! Tá escrito que é pra tomar de noite, antes de dormir. Hum… são cinco horas. Isso é quase noite. É acho que vale. Vou aproveitar e tomar duas pra ter certeza que vai fazer efeito. Melhor tomar três. Ok, quatro e não se fala mais nisso. Caralho, pílula gigante. Como vou engolir essa merda? Já sei, cerveja. Boa, campeão. Ahhh, delícia! Nada como uma cerveja gelada e uma mão cheia de pílulas. Ei, cerveja gelada? Hum. Ahhh… agora assim, quem precisa de bolsa térmica? Esse geladinho no saco até que é bom. Ei, rapaz, tá vivo, é? Tá rosa, mas não morreu! Ai, caralho, tá ardendo. Cacete, cacete! Para de crescer, porra, tá ardendo. Gelado, gelado… Isso lá é hora de ficar de pau duro?

 

(texto concorrendo nessa rodada do Duelo de Escritores).

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

3 comentários em “Pau rosa

  1. pouco tempo atrás não sabia q vc existia,nunca vir uma foto sua mas mesmo assim to apaixonada não pelo pau rosa haha.bjs

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