Publicado em Comunicação, Internet

Por uma rede mais humanizada

Às vezes me pergunto se tudo é em vão.

Não, não estou pensando em me matar, estou falando do âmbito profissional mesmo. Certa vez me disseram em tom meio proposta, meio desafio, que eu deveria me mudar para São Paulo e trabalhar lá com jornalismo digital na Social Media.

E eu disse que não. São Paulo já tem seus bons profissionais. Blumenau não os tem. Eu queria trazer para cá, para a cidade que tanto me conquista, esse brilhante mercado que só existe nos grandes centros.

Então não dei bola para as empresas que colocavam o estagiário para atualizar o blog, que colocavam a balconista para gerenciar as relações interpessoais pela internet. Assim como não dei bola para a indústria fast food que vem vinha se formando no marketing digital. Ao invés de ir a São Paulo, preferi fazer um MBA em Jornalismo Digital e pesquisar o que é feito lá fora e o que é feito aqui dentro.

Mas às vezes me pergunto se tudo é em vão.

Parece-me que tudo o que as empresas querem é contratar uma assessoria fast food para implantar exatamente o mesmo sistema que é implantado nas outras empresas, pois se dá certo para elas, também vai dar certo para a minha. É o mesmo que desistir de abrir um restaurante de comida mediterrânea, porque o Mc Donalds é muito mais simples, muito mais barato e sempre deu certo.

Uma agência cria um projeto, apresenta o mesmo projeto para 12 empresas, cobrando um valor de 50% o ideal do mercado, coloca em prática o projeto nas 12 empresas e constrói uma nova realidade de mercado: agora é assim que se trabalha.

Os empresários querem saber de lucro, de dinheiro. Não de clientes felizes. Mas clientes são seres humanos. Deveriam Devem ser tratados de forma humanizada, e não na forma de fast food midiático.

Daí vocês podem vir me dizer que é isso que as empresas querem, é assim que o mercado funciona, e – principalmente – é assim que o cliente quer, é assim que dá certo.

Dizem isso, mas parece que nunca estudaram as causas do fim do fotolog (que já foi a mais importante rede social de uma importantíssima faixa de público), e do atual enfraquecimento do Orkut (que tudo indicava que iria acontecer há uns cinco anos, e quando afinal começou – eu disse apenas começou – a enfraquecer, já dizem que morreu e não prestam mais atenção).

Mas não tem problema, quando as atuais redes sociais da moda (notadamente com maior destaque para facebook e twitter) também sofrerem o êxodo (escreve aí, isso vai sim acontecer), partirão para outras modas. Agindo como o ser humano-não-humanizado sempre age: destruindo tudo a sua volta por utilizar de forma errada seus recursos.

Mas como eu disse, às vezes me pergunto se é tudo em vão.

 

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

8 comentários em “Por uma rede mais humanizada

  1. Blz Fábio?! Bom ve-lo comentando novamente no Expressionando! Vlw!

    “quando as atuais redes sociais da moda (notadamente com maior destaque para facebook e twitter) também sofrerem o êxodo (escreve aí, isso vai sim acontecer), partirão para outras modas.”

    Fazendo previsões por aqui também, hein! Porém mais imediatas do que as minhas heheh.

    O problema do ser homo-sapiens-virtualis é assim mesmo, sempre quer algo novo, inédito e quando se satura daquilo que antes era inédito, migra para outras novidade, ou fica no limbo virtual até que surja a nova onda para surfá-la até a saturação e por aí vai.

  2. Bacana constatação, Smaily.
    Só me pergunto até onde poderemos agir dessa forma.
    Antigamente pensávamos que as árvores eram infinitas,o petróleo era infinito, a água era infinita…

    O quanto disso também serve para a comunicação?

  3. De cara já lhe adianto, acredito que não é em vão. Do contrário, não haveria o seu pensamento, não haveria maneiras de que você, por exemplo, pudesse compartilhá-lo com as pessoas na internet. Nunca havia lido seu blog e gostei do seu texto assim como garanto que pra varias pessoas também, isso não é em vão.

    O mercado sempre se movimenta de formas estranhas, as vezes incompreensíveis pra quem compreende um pouco mais. É um jogo irônico, que as vezes irrita, dá vontade de pedir arrego. Mas assim como você muito bem frisou, o consumidor parte para novas modas. O fator humano incorporado em um pensamento sistêmico de redes é quase que um vírus, algo sem nenhum nexo, sem comportamento previsível apenas achismo baseado em dados. O em vão para mim, é ver que os tópicos mais comentados, mais acessados, mais #amados não são textos críticos assim. São na sua maioria, retratos banais sem nenhum conteúdo. A vida imita a arte e a internet está por imitar o pensamento retrógrado da TV, das mídias tradicionais. Mas enfim, continue, no fim acho que nada é em vão.

  4. Fala Fábio, (o seu ‘fabio’ é acentuado?)

    “destruindo tudo a sua volta por utilizar de forma errada seus recursos.” Será que nossa geração destrói? Vivemos em tempos que precisamos reconsiderar, ou ‘retraduzir’ os conceitos de outrora… Penso eu, minha humilde opinião, que não se trata de destruir e de dar a quem tem condições de oferecer, a Renovação, o Novo ou o Inovado, precisamos disso, visto que temos um ‘Bom’ que se torna o ‘Mesmo de sempre’ muito facilmente….

    Sabe Fábio/Fabio, Eu tenho um sonho (Beto Luther King), sonho com o dia que darei ao meu bolso condições suficientes para poder proporcionar ao cliente o Melhor, em todos os quisitos, é estranho e diferente, talvez poucas pessoas falem a verdade, mas, eu, quero oferecer algo bom ao meu cliente, mas, primeiro, preciso ter condições de me manter bem, claro que paralelamente darei o que o cliente precisa, mas, o Melhor, virá apenas depois, este é um fato escondido pelos empresários.

    Obs.: Não sou empresário, estarei me tornando um.

    Bacana suas considerações, gostei!

  5. Olá Beto, obrigado por participar da discussão.
    Acredito que a nossa geração destroi, sim, impiedosamente tudo que tem em suas mãos. E isso vale para a comunicação também. Como citei no texto, fotolog, chat do terra e orkut são apenas alguns poucos exemplos de estruturas complexas e funcionais de comunicação que viveram um auge estrondoso. Mas que pela gana de novidades, foram abandonados e, por se dizer, destruídos.

    Sobre oferecer o melhor para o seu cliente, acho que muito disso tem a ver com o preço. Você pode oferecer hj apenas o suficiente, e com isso juntar dinheiro para um dia poder oferecer o melhor.
    Ou então você pode oferecer o melhor, pelo custo de se ter o melhor.

    São dois caminhos válidos de trabalho.
    Utópico é o meu sonho, de dar o melhor, pelo preço do mais barato.
    Isso sim, ainda não passa de um sonho.

  6. É Fabio, o Melhor pelo preço do mais barato é utópico mesmo, visto que, o Melhor profissional tem o preço de Melhor mesmo, logo, as despesas aumentam, seja qual for o seguimento..a respeito do ‘destruir’ ficarei por advogado desta nação que troca de rede social como quem troca de cueca/calcinha… acredito que as empresas hoje, devem criar ferramentas da mesma forma como empresas de hardware projeta um PC, considerando um tempo de validade.. é utópico também, achar que uma ferramenta irá durar a vida toda… imagina só, se isso fosse fato, teriamos duas possibilidades básicamente..

    1ªViveriamos em um mundo virtual.. sem saber como manter a estrutura disso, pois, sem grana para bancar, visto que vivemos no mundo virtual e esquecemos do ‘real’

    2ªNos condenariamos a seres desprovidos da ‘tal’ criatividade….

    a 1ªopção, ta fora, totalmente, é brincadeira pura, a 2ªpoderia ocorrer de fato, mas, seria triste… mas, de fato, isso nunca irá acontecer…

    Sendo um pouco mais realista.. Entendi teu ponto de vista, mas, irei considerar o seu ‘destruir’ de uma forma diferente do significado ‘real’ e ‘contextual’ ..

    Boas discussões são sempre bem vindas Fábio… infelizmente, nossa geração é dos que não discutem futebol, politica e religião, mas, deveria, afinal, são assuntos interessantissimos… só não arrisco o futebol, definitivamente, não entendo nada haha

  7. Somos dois então, Beto! Tbm só não discuto futebol, destes três. Discutir política e religião é ótimo.

    Mas eu sou a favor da criatividade, claro… só acho que para surgirem novos, não precisaríamos abandonar de vez os antigos.
    Se o orkut perdeu a graça e o facebook atrai mais, claro que você pode migrar.
    Mas que tal manter os dois em funcionamento, cada um com suas utilidades diferenciadas, cada um com seu publico que busca por coisas diferentes?

    Seria mais interessante do que abandonar de vez um para a morte e migrar completamente para o outro.

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