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Risco de Enchente em Blumenau

E daí Blumenau sofre mais uma enchente e todo mundo diz “que pena” ou “é o destino“. E o Poder Público passa liso novamente.

Enchente não é destino.

Enchente não é culpa de Deus.

Enchente não é azar.

É omissão do Poder Público.

Não aceite, simplesmente.

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Autor:

Fábio Ricardo é jornalista blumenauense apaixonado pelo mundo digital, por inovação e por histórias pra contar. Acha que a vida é melhor cercada de gatos, em cima de uma Harley, com uma caneta na mão e uma cerveja em cima da mesa.

7 comentários em “Risco de Enchente em Blumenau

  1. Como falei ontem no Twitter, não existe muito a ser feito quando se trata de catástrofes naturais.

    Catástrofes naturais não se contém. O que deve ser feito é não permitir a ocupação de áreas de risco ou criar sistemas de alerta para que se evite a perda de vidas.

    Hoje em dia o “zeca” constrói a casa na barranca do rio ou faz um talude animal no fundo de casa e espera as benesses da “providência divina”, ou reclama que “por culpa do governo perdeu tudo”

    Sábios eram os índios pré-colonização ítalo-germânica que nunca montavam suas aldeias em áreas inundáveis.

    Precisamos sim discutir a implantação do Plano Diretor que impede a construção em áreas de risco e remover as pessoas que lá já estão.

  2. Exatamente! E isso é omissão.
    Se é sabido que as águas vão subir (e elas sobem a cada 6 meses, mais ou menos), é omissão do Poder Público simplesmente ignorar isso e deixar o povo sofrer as consequências.
    Não acredito nem um pouco na fala de que “não há o que se fazer”. Há sim, é possível se preparar, se organizar. As águas podem subir se estivermos preparados para isso.

  3. Infelizmente já vimos isso tudo acontecer várias vezes. Logo após o desastre, muitas autoridades dizendo que aprendemos com os erros do passado e que daqui pra frente será diferente. Mas nada muda. Muita coisa pode ser feita e pode-se começar eliminando esses discursos repetidos exaustivamente sem ação efetiva.

  4. Olá Fábio, tudo bem?
    Respeitamos sua opinião, mas gostaríamos de expor também a versão da Prefeitura. Ao contrário do que foi dito acima, Blumenau fez sim, muito desde 2008, para evitar que novas castastrofes assolem a cidade. Entre as ações estão:

    a) Diretamente relacionadas à Defesa Civil
    – Revisão completa do Plano de Contingência do município que inclui agora itens relacionados a escorregamentos e novos abrigos
    – Visitas em aproximadamente 10 mil imóveis e elaboração de 10 mil relatórios de vistoria técnica pelo Escritório da Reconstrução (2009 e 2010).
    – Demolição e remoção de mais 600 residências em diversos locais da cidade em áreas de risco, pelo Escritório da Reconstrução (2009 e 2010)
    – Intensificação de operações de fiscalização com ações rotineiras para impedir tentativas de reconstrução e/ou ocupação irregular em áreas de risco (Operações Congelamento e Operação Obra Legal)
    – Capacitação da equipe de Defesa Civil e de gestores da Prefeitura como um todo, com a realização de cursos periódicos como o Bases Administrativas para Gestão de Riscos (Bager), cuja finalidade foi preparar profissionais da área com conhecimento e metodologias necessários para otimização de atividades relacionadas à redução de risco de desastres

    b) Ações interdisciplinares (Planejamento Urbano, Habitação, Defesa Civil e Assistência Social)
    – Mapeamento geológico-geotécnico de áreas críticas, assim que a tragédia ocorreu, e elaboração das Cartas de Uso Recomendado do Solo cuja finalidade é indicar áreas de alto risco (interditadas) e áreas com risco administrável (liberada com restrição). A classificação serviu para orientar o controle do uso e ocupação do território no município e integrou os novos códigos complementares do Plano Diretor, aprovados em 2010. No código de Zoneamento atualizado, por exemplo, as Áreas de Risco Geológico integram as classes de restrições ao uso, e condições mais rígidas de controle são impostas como forma de impedir a implantação ou avanço de ocupações em situações de maior vulnerabilidade;
    – Criação de Diretoria de Geologia na Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, por meio de convênio com o Instituto de Geotécnica do Rio de Janeiro (Georio). A diretoria d esenvolve, no momento, software para monitoramento de chuvas em diversos pontos da cidade com a operação de 21 novos pluviômetros. Também trabalha na captação de recursos para desenvolvimento de projetos de intervenção estrutural e recuperação ambiental cuja finalidade é resolver problemas de instabilidade de encostas no município. Um das obras de intervenção e recuperação ambiental, por exemplo, está sendo realizada no Maciço do Coripós. As mesmas estão previstas para curto prazo e o projeto para interferência em outras seis áreas está em desenvolvimento, apenas aguardando o recebimento de verbas;
    – Desocupação de áreas de risco e oferta de alternativas de moradia em regiões de fácil acesso, boa infraestrutura e ausência de risco de deslizamento ou inundação – já previstas no projeto Bnu 2050. Logo após a tragédia, dez terrenos foram selecionados pela Prefeitura e adquiridos com os donativos enviados por todo o Brasil para Blumenau. Nestes locais estão sendo construídas as moradias do Programa Minha Casa Minha Vida.

    Ações de Defesa Civil planejadas para 2011 :
    – Criação dos Núcleos de Defesa Civil (Nudec’s)
    – Continuidade das operações de fiscalização
    – Intensificação dos desmontes técnicos de obras ilegais
    – Desenvolvimento de ações conjuntas com Corpo de Bombeiros, Faema e Vigilância Sanitária para interdição de edificações/estabelecimentos irregulares
    – Continuação e ampliação do trabalho de demolição de residências em áreas de risco; após entrega dos imóveis aos atingidos (Escritório da Reconstrução)
    – Monitoramento permanente das áreas de risco, na tentativa de impedir a reutilização da área (Escritório da Reconstrução)

    Creio que seja isso, mas em caso de dúvida, estamos à disposição.
    Abraços,
    Julia Voigt
    Equipe de Imprensa da Prefefeitura de Blumenau

  5. Valeu, Julia.

    Acredito realmente que tudo isso esteja sendo feito. Mas até agora nada me fez acreditar que em caso de nova enchente a história seja em alguma coisa diferente de 3 anos atrás.

  6. Boa tarde, e todos os meus sentimentos aos tão guerreiros blumenauenses que mais uma vez perdem suas casas, sonhos e pessoas amadas. Sou nascida em Blumenau tenho 22 anos e até um ano e meio atrás morava na cidade, porém toda a minha família ainda vive em Blumenau.
    Acho ótimo que cada um possa expor abertamente as suas opiniões e com todo o respeito a você Sra. Julia que esta a parte dos projetos da prefeitura, vejo como ponto positivo a demolição e fiscalização para não reconstrução de novas residências nas áreas de risco, mas e quanto aos prédios construídos para os desabrigados de 2008, será mesmo que são de boa qualidade? Ao que me parece já foram inaugurados com falhas, isso tirando o longo tempo absurdo que permaneceram em condições praticamente desumanas nos abrigos.
    Espero que realmente estejam elaborando e realizando projetos de melhoria, mas nas vezes que visitei a minha cidade nenhuma mudança significativa eu vi, como melhoria no escoamento de água (aumentando tubulações e abrindo áreas de escoamento), ou simulação de cheias e informações a comunidade de como agir em momentos como o da noite passada.
    Tenho a família por parte da minha mãe que não foi diretamente afetada pela água, porém esta isolada, sem água potável, energia e falha no sinal telefônico, já na casa do meu pai próximo ao terminal da fonte a água chegou no segundo andar da casa, e oque aconteceu??? Ele e demais vizinhos tiveram que por volta das 23:30 horas sair pulando o muro de uma casa para a outra até um local mais seguro, o detalhe que ele já tem uma certa idade e uma hérnia a qual dificulta muito o seu estado físico. Agora quero saber qual a desculpa pela não ajuda prestada a eles??? A unica justificativa prestada pelos bombeiros e defesa civil é que começavam a dar prioridades pelos lugares mais afetados, então oque seria o mais afetado, quando as pessoas estivessem boiando agarradas a algum objeto? Deveriam ter começado o trabalho de prevenção retirando todos o mais cedo possível e não somente no momento final. E onde esta a reforço que as autoridades prometeram lá em 2008, talvez o tempo tenha passado e o orgulho humano fez mais uma vez tudo ser “esquecido” ou omitido pelos que realmente poderiam ter feito algo. Espero que pelo menos desta vez os donativos não sejam encontrados em casas de quem não precisa de ajuda e que montes de roupas não sejam novamente queimados.
    O excesso de chuva pode sim ser por “culpa” de Deus, mas o desa-caso é falha dos ser humano!

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