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Meu avô me ensinou

paralelepipedo

Quando eu era criança e visitava meu avô, era muito comum que ele me levasse com ele para fazer tudo o que ia fazer. O que não era muita coisa, é justo dizer. Consistia basicamente em assistir documentários sobre a vida animal na TV, consertar uma torneira pingando ou contar e separar meticulosamente todos os pregos e parafusos das milhões de caixinhas cheias de pregos e parafusos que ele mantinha em um rancho nos fundos de sua casa.

Mas tem uma coisa que ele sempre fazia e me levava junto, que era um ritual de paciência e dedicação que sinto muita saudade de acompanhar. Vô Mário pegava uma banquetinha baixa de madeira e uma chapa fina de metal enferrujado dobrada ao meio. Eu nunca entendi para o que servia aquilo até o dia em que ele me levou junto para me sentar no meio fio na beira da estrada de paralelepípedos e me entregou um daqueles artefatos estranhos.

Ele se inclinava sobre os paralelepípedos e começava a raspar pacientemente o mato que crescia entre duas pedras. Eu olhava sem entender. Lembro de levantar a cabeça e ver aquele mar de paralelepípedos e pensar que ele não ia conseguir terminar aquilo tudo nunca. Ao terminar o final da rua, o começo da rua já estaria cheio de mato de novo. Por que ele estava fazendo aquilo?

Mas logo me vi lá, ajoelhado na beira da estrada arrancando o mato que nascia entre os paralelepípedos. E aquela foi uma lição e tanto pra mim. Uma lição de vida. Um aprendizado sobre fazer a minha parte, sobre amar a minha cidade, sobre ter paciência na busca por meus objetivos e sobre não esperar que outra pessoa venha fazer o que eu mesmo posso fazer.

Quando vejo os jovens se reunindo e acolhendo praças, abraçando uma vida mais humana, sendo cem em um dia, pedalando, se doando, se amando… lembro do vô Mário. Vejo cada um destes garotos e garotas como se eles estivessem raspando o mato que cresce entre os paralelepípedos. Não porque é a obrigação deles. Não porque são pagos para isso. Porque eles querem fazer a sua parte, amam a cidade, têm paciência para buscar seus objetivos e não esperam que outra pessoa vá fazer o que eles mesmos podem fazer. Obrigado por isso.

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Queremos mais segurança para bicicletas

A falta de segurança dos ciclistas está em pauta como nunca esteve antes. Tanto a mídia nacional quanto a mídia local trazem matérias sobre os riscos que os ciclistas passam. Nos últimos dias, a discussão foi até a Via Expressa, que liga a Ponte do Tamarindo ao bairro Fortaleza. Lá, um homem perdeu um braço depois de ser atropelado enquanto pedalava.

Alguns jornalistas preferiram se ater ao fato de que o ciclista estava errado, teria sido culpa dele, pelo fato de existirem placas ao longo da Via Expressa que mostram ser proibido o trânsito de pedestres e bicicletas pela via.

Eu prefiro pensar de outra forma.

Eu prefiro pensar diferente.

Leia mais clicando aqui, e saiba por que eles estão errados.

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Área Azul é a solução? – no Portal Controversas

Publiquei ontem no Portal Controversas um texto falando sobre a recente ampliação da Área Azul para a região do bairro Victor Konder. Você pode ler o texto na íntegra aqui: http://controversas.com/cotidiano/area-azul-e-a-melhor-solucao/

No texto falo sobre a necessidade de invadir uma zona residencial para resolver um problema comercial. E atento para o fato de a prefeitura estar jogando pesado para desestimular o blumenauense a usar seu carro no dia-a-dia para o trabalho.

Isso somado ao fato de que os carros estão extremamente baratos (hoje qualquer um pode comprar um carro, sério), um sistema de transporte coletivo risível e caro, e a falta de ciclovias e de segurança para pedalar/andar de skate/andar de patins, leva o blumenauense diretamente para trás do volante.

Isso causa trânsito pesado, congestionamento, a necessidade de mais sinaleiras e por aí vai. Com a colocação de Área Azul no centro, as pessoas não podem ir de carro para o trabalho, deixando ele lá parado o dia inteiro, e por isso buscam bairros residenciais para deixar o seu carro e ir caminhando até o Centro. Por isso, agora a prefeitura se viu na posição de colocar a Área Azul também no bairro Victor Konder, e impedir isso.

Hoje o jornalista Evandro de Assis (ou Muleta, como queiram), editor e colunista do Jornal de Santa Catarina publicou um texto sobre o mesmo assunto, onde fala:

Os carros não são bem-vindos no Centro de Blumenau. Há uma série de fatos aparentemente isolados em andamento que sinalizam a vontade municipal de dificultar o uso do transporte motorizado individual na região central. Não se trata apenas de privilegiar ônibus e pedestres, mas de desestimular o uso do carro.

Para ler o texto completo dele, basta visitar o site do jornal.

 

E aí, qual a melhor forma de resolver os problemas viários de Blumenau?

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As máscaras de Blumenau

Cultura tradicional germânica, passada há milênios de geração em geração. #NOT.

Blumenau é uma cidade germânica. Ou pelo menos assim se vende.

Acontece que em minha coluna no Panorama Cultural, do portal Análise em Foco, eu fiz uma crítica sobre essa máscara europeia que vendemos aos turistas. Nela falei coisas como:

Todo mês de outubro, Blumenau veste uma máscara de olhos azuis e cabelos louros, tira os CDs da Banda Cavalinho da gaveta e se finge de uma cidade tipicamente germânica para atrair os turistas que buscam pela “Europa brasileira”. Sou a favor desse fingimento todo. É bom para o turismo e é bom para a economia.

Chega o mês de julho, a máscara da vez é um pouco diferente da peruca loura, das lentes de contato azuis e dos canecos de chope. É vez de colocar as boinas na cabeça, soltar o som no acordeom e vestir-se de vermelhoverdebranco enquanto degusta um vinho de gosto duvidoso.

A coluna recebeu diversos elogios, o que sempre me deixa muitíssimo feliz. Bastante gente concordou comigo sobre a desvalorização constante da festa. E  o leitor Freddy Ullrich, um típico alemão-blumenauense, me enviou um e-mail dizendo o seguinte:

Este comentário é baseado no artigo “Festitália: se for pra copiar, copia direito”. Concordo com o autor em muitos aspectos. A festa realmente carece de novidades. Muito fraca e não represta de forma adequada os descendentes de italianos e sua cultura. Tambem gostaria de acrescentar sobre algo que ficou omitido na matéria. Dizia que “Blumenau veste uma máscara de olhos azuis e cabelos louros”. Concordo com a colocação do autor, que colocou em termos gerais. Mas gostaria de lembrar que nem todos vestem mascaras. Existem muitas pessoas que cultivam as tradições o ano inteiro. Por exemplo, meu pai faz rádio a mais de 30 anos, apenas Deutche Musik, é loiro de olhos azuis. Convido o autor a fazer uma matéria com meu pai para tambem mostrar o lado pequeno, mas verdadeiro da cultura alemã aqui.

Como fiquei bastante feliz com o comentário dele, relembrando a importância do que mantém viva a cultura alemã sem precisar de máscaras, mostro abaixo minha resposta:

Caríssimo Freddy,

Já de início, agradeço imensamente seu comentário sobre minha coluna. É bom ver que somos lidos por gente que realmente quer ler sobre “cultura” e não apenas lazer e entretenimento.

Sou um amante da culinária, da música, e de outros aspectos culturais dos povos ao redor do mundo. A italiana e a alemã estão entre minhas favoritas, tanto na gastronomia, quanto na dança. E se generalizei minha crítica, tenho que avisar que sou obrigado a fazer isso mesmo sabendo que a generalização sempre é burra, nunca é completa. Somos indivíduos únicos, e sempre é falho denominar uma cultura inteira apenas por uma visão estereotipada dos povos.

Mas para escrever uma coluna cultural para a internet, um mundo onde ninguém tem tempo para nada, temos que ser mais superficiais do que gostaríamos. Quando digo que Blumenau veste máscaras italianas ou germânicas, estou generalizando. Sei muito bem que temos análises muito mais profundas a se fazer, tanto na cultura italiana, quanto na alemã, aqui em nossa cidade. Isso sem citar a cultura russa, japonesa, polonesa, árabe, portuguesa… enfim, nossa cidade é construída por descendentes dos cantos mais diversos do planeta.

Minha generalização quanto às máscaras culturais é apenas sobre as festas em si. A Festitália e a Oktoberfest, para ser mais exato. O falso enxaimel, o chope que desobedece a Lei Alemã da Pureza, e atém mesmo o sushi usando manga, ou o vinho chileno numa festa italiana… tudo isso são apenas exemplos da miscigenação cultural.

Quero deixar claro que sou a favor dessa miscigenação. Somos frutos de uma mistura de culturas, e temos que ter orgulho disso.

Deixo meus parabéns a toda a família Ullrich por manter a cultura alemã viva não apenas dentro de sua casa, mas também cidade afora, pelas ondas do rádio. Respeitar e preservar as nossas culturas é um forma de homenagear o passado e a todos que fizeram parte dele. Sei que vocês não usam máscaras para se mostrarem alemães, e nem precisam disso. A nossa cidade como um todo, é que muitas vezes veste essas máscaras para se mostrar mais tradicional do que é na realidade.

Isso tem um motivador econômico e é saudável. Mas eu sou a favor da transparência. E tenho muito orgulho de meus descendentes italianos, alemães e portugueses, já que sou uma mistura de famílias européias. Mas também tenho orgulho de todos os russos, árabes, japoneses, índios, africanos e principalmente brasileiros que fizeram nossa cidade ser assim como ela é hoje. Rica, bonita e feliz.

Meu sinceros abraços a você e a toda família Ullrich,

Fábio Ricardo

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TOP 10 Destaques da cultura blumenauense

Publico aqui uma prévia da minha coluna de hoje no Panorama Cultural, lá no portal Análise em Foco, para ver a opinião de vocês. Montei uma lista dos 10 pirncipais destaques da cultura de nossa cidade neste ano de 2009. Você pode sugerir novos nomes para a lista ali nos comentários.

TOP 10

1) Nestor Jr

2) Vanessa Neuber

3) Parachamas

4) Nosso Inverno

5) Revista Nanu!

6) The Flag

7) Barba Ruiva Produções

8) Confraria do Samba

9) Butiquin Wollstein

10) Bareco Stand Up Comedy

Você pode ler a explicação de cada um deles clicando aqui.

Quem voce colocaria nesta lista que ficou de fora?

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A banda Calvin vai mesmo terminar?

Para ler ouvindo:  Calvin – …3, 2, 1, fim. (www.myspace.com/bandacalvin)
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Deu o que falar o último anúncio da Banda Calvin. Eles avisaram semana passada que iriam se afastar por tempo indeterminado dos palcos. Isso gerou controvérsias por parte da mídia especializada (chegaram a dizer que seriam férias de verão para encher a cara e caçar gatinhas) e muitos se assustaram pensando que o anúncio falava mesmo que a banda iria acabar. Para tirar a história a limpo, procurei alguns dos integrantes da Calvin para solucionar algumas dúvidas.

A verdade é que eles nem sequer tocam no assunto da banda acabar. A Calvin está melhor do que nunca, no melhor momento da sua carreira de 10 anos fazendo seu som. Os caras estão fazendo shows por tudo quanto é canto, têm um fã-clube repleto de meninas bonitinhas que gritam alto seus nomes durante os shows e não têm motivo algum para “dar um tempo” com a banda. Como explicaram os rapazes, é um tempo PARA a banda, e não um tempo DA banda.

Não existe qualquer motivo para desespero. A Calvin é uma das melhores bandas do cenário roqueiro da nossa região. Eles têm comprometimento, têm garra e têm também o mais principal quando o assunto é rock: amizade. Mesmo que a banda acabasse, eles com certeza continuariam se reunindo para se divertir. E nada melhor para se divertir do que fazer um som. Por isso, posso dizer que essa pausa não é um fim, e sim um caminho a ser seguido.

Longe dos palcos por alguns meses, eles terão tempo e foco para concretizar a gravação do novo CD, coisa que vem se arrastando por mais tempo do que deveria. Arranjos novos, composições colocadas em prática e os detalhismos mais insignificantes serão vistos com calma pela banda, que volta destas férias com a obrigação de trazer o melhor álbum de sua carreira na bagagem. Depois disso, os shows voltam a todo vapor.

Mas não sou inocente de dizer que não há riscos em se fazer uma pausa num momento tão importante para a carreira da banda. Pode ser que tudo dê errado e nada saia como imaginado.

Por isso, detalharei abaixo as três opções que se desenham para o futuro da Calvin:

Opção 1:

Durante os retiros de dias e mais dias passados no sítio em Timbó para organizar o som, os membros da banda irão “encontrar Jesus” e fundar uma nova religião. Os agora Pastores do Rock timboense passarão as tardes em rituais pagãos envolvendo peixes vivos cortados ao meio com machadadas e bebendo o sangue conseguido durante o processo do guitarrista Juvi de colocar um novo (e ainda maior) alargador na orelha. Os músicos trocarão seus nomes para Helton, Juventino, Ramon, Marcelo e Denis (ok, esse continua igual), o que condiz mais com sua nova personalidade. Para ampliar a divulgação do novo estilo da banda, Carolyny, Bê e Gabi vão gravar vídeos no Youtube fazendo covers de Rodox e Mara Maravilha. A banda se mudará para Balneário Camboriú onde fundará sua igreja, cuja cruz trará um dos integrantes da Fresno de braços abertos (e ainda vivo). Betão, Dido e Pulga, da Parachamas, serão contratados para tocar flauta transversal, harpa e oboé nos cultos.

Opção 2:

Depois de horas de muita discussão arrumando os detalhes da gravação do novo CD, uma briga interna afastará para sempre Chico e Juvi. Chico vai se mudar para o Rio de Janeiro, onde irá arrumar um novo empresário e seguir carreira solo (qualquer semelhança com o acontecido com uma banda blumenauense esse ano é mera coincidência). Enquanto isso, Juvi vai assumir os vocais e Kaiser deixa o teclado para voltar a tocar guitarra. O futuro da banda fica indeciso quando o rumo começa a mudar sem a imagem de Chico à frente do grupo. As músicas compostas por Juvi terão uma semelhança óbvia com os gritos do AC/DC, enquanto Kaiser vai insistir em regravações de canções clássicas do Greenday. Isso causará uma nova ruptura, fazendo com que o fim da banda chegue em breve. Chico, por sua vez, deixará a franja crescer e assumirá uma vertente emo-pop, logo alcançando o topo das paradas. Mas em 4 meses a moda muda novamente e ele tentará se enquadrar no estilo From UK. Com cabelo já descolorido, amargará o esquecimento após uma nova mudança de moda musical do momento, passando a se apresentar apenas em churrascarias e terminais urbanos de ônibus em troca de moedas.

Opção 3:

A banda nem irá se preocupar com o monte de baboseiras ditas pelos que tentam achar motivos para demonstrar sua inveja à respeito do sucesso dos rapazes. Irá passar meses enfurnada dentro de um estúdio e os rapazes trarão de lá o melhor CD que uma banda local já apresentou em nossa região. Voltarão em 2010 para os palcos mais coesos, mais evoluídos e ainda mais amigos. Ganharão ótimas críticas e serão um sucesso nas rádios. E vão, de show em show, voltando a suas vidas normais, repletos de amigos, lembranças, brincadeiras e muita – mas muita! – música de boa qualidade.

Boa sorte, rapazes! Estarei aqui esperando por novidades sobre as gravações e torcendo para que as opções 1 e 2 não se manifestem por um segundo sequer. A terceira opção, entretanto, será bem vinda para trazer com força total o destaque que a banda merece por estes anos de dedicação à cena musical de nossa região.

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Esse artigo foi publicado no portal Análise em Foco, no Panorama Cultural, caderno de cultura de lá. Como ainda não estão prontos os sistemas de comentários da coluna lá (2010 teremos sim!) publico aqui no meu blog também apenas para perguntar a vocês:

O que vocês acham que vai acontecer com a banda Calvin?

***(as melhores respostas serão publicadas na próxima coluna, e a melhor de todas receberá um prêmio especial do Panorama Cultural)