Ame, sofra, viva

Por Fábio Ricardo e Marina Melz

Tem gente que diz que só os relacionamentos doces valem a pena. Outros, que só se consegue sentir o amargo. Eu prefiro dizer que todos os relacionamentos valem a pena. Por mais doces ou amargos que eles sejam.

Não importam sofrimentos, de nada vale temer o futuro. O flutuar é agora. O desmontar com um sorriso, também. Temer o futuro pra quê? Se por mais que você se segure, você sabe que uma hora vai cair? Você pode cair logo nos primeiros dias, braços abertos e vento no rosto, ou pode se segurar, espernear e dizer que não quer se apaixonar. Mas uma hora você vai escorregar e cair do mesmo jeito. A única decisão é como você pretende apreciar a queda.

A queda sempre é queda. É você quem escolhe aproveitar os segundos de queda-livre ou tentar prever a dor. Amar sem medo ou sofrer por antecipação. Se for para sofrer, sofra. Você vai sofrer de qualquer jeito, esteja certo disso. Todo relacionamento traz sofrimentos consigo. Seja pelo medo de se entregar, seja por se entregar demais. Quem não sofre, não ama.

Quando o momento de sofrer chegar, você vai sorrir. Amarelo, tímido, infeliz. Mas se você realmente tiver vivido o momento de tirar os pés do chão, você vai sorrir.

Você pode passar anos sofrendo para no final ficar feliz. Ou você pode ficar feliz por anos, e no final sofrer. Tanto faz. É certo que você vai sofrer. E também é certo que você vai ser feliz. A felicidade precisa do sofrimento para existir, ou então você não saberia que ela é felicidade. Então aproveite e sofra. Afinal, você vai ser muito feliz.

Aproveite cada beijo como se fosse o último, sinta cada abraço como se fosse só o começo e sorria por um sorriso. Sinta o agridoce da vida oscilando na sua boca e no seu peito. Se você fizer isso, não importa o quanto foi amado, ou por quanto tempo. O que importa é que você se entregou, se apaixonou, flutuou. O que importa é que você se entregou. E não há sensação no mundo melhor do que a de se entregar a uma paixão.

Você sempre pode escolher entre fugir e se entregar. Não seja covarde. Se entregue a cada nova possibilidade. Fique cego, surdo. Voe, esqueça o chão. Perca o juízo, a fome, o sono. Perca a consciência. Se perca. Se perca pra se encontrar.

Se encontre.

 

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Ame, sofra, viva

Por Fábio Ricardo e Marina Melz

Tem gente que diz que só os relacionamentos doces valem a pena. Outros, que só se consegue sentir o amargo. Eu prefiro dizer que todos os relacionamentos valem a pena. Por mais doces ou amargos que eles sejam.

Não importam sofrimentos, de nada vale temer o futuro. O flutuar é agora. O desmontar com um sorriso, também. Temer o futuro pra quê? Se por mais que você se segure, você sabe que uma hora vai cair? Você pode cair logo nos primeiros dias, braços abertos e vento no rosto, ou pode se segurar, espernear e dizer que não quer se apaixonar. Mas uma hora você vai escorregar e cair do mesmo jeito. A única decisão é como você pretende apreciar a queda.

A queda sempre é queda. É você quem escolhe aproveitar os segundos de queda-livre ou tentar prever a dor. Amar sem medo ou sofrer por antecipação. Se for para sofrer, sofra. Você vai sofrer de qualquer jeito, esteja certo disso. Todo relacionamento traz sofrimentos consigo. Seja pelo medo de se entregar, seja por se entregar demais. Quem não sofre, não ama.

Quando o momento de sofrer chegar, você vai sorrir. Amarelo, tímido, infeliz. Mas se você realmente tiver vivido o momento de tirar os pés do chão, você vai sorrir.

Você pode passar anos sofrendo para no final ficar feliz. Ou você pode ficar feliz por anos, e no final sofrer. Tanto faz. É certo que você vai sofrer. E também é certo que você vai ser feliz. A felicidade precisa do sofrimento para existir, ou então você não saberia que ela é felicidade. Então aproveite e sofra. Afinal, você vai ser muito feliz.

Aproveite cada beijo como se fosse o último, sinta cada abraço como se fosse só o começo e sorria por um sorriso. Sinta o agridoce da vida oscilando na sua boca e no seu peito. Se você fizer isso, não importa o quanto foi amado, ou por quanto tempo. O que importa é que você se entregou, se apaixonou, flutuou. O que importa é que você se entregou. E não há sensação no mundo melhor do que a de se entregar a uma paixão.

Você sempre pode escolher entre fugir e se entregar. Não seja covarde. Se entregue a cada nova possibilidade. Fique cego, surdo. Voe, esqueça o chão. Perca o juízo, a fome, o sono. Perca a consciência. Se perca. Se perca pra se encontrar.

Se encontre.

O segredo da auto-ajuda

Depois do post passado, discuti sobre auto-ajuda com meu chefe (um deles), Edemilson, sobre o assunto. Para mostrar como a discussão foi ampla, vale lembrar que Edemilson é palestrante motivacional e escritor de livros de auto-ajuda. A diferença dele para os tantos escritores de livros desse estilo que encontramos por aí é sutil, mas muito importante. Como minhas comparações serão basicamente com o filme “O Segredo” é fácil diferenciá-los.

Vou começar por algo que ele falou ontem, em uma palestra motivacional sobre Comunicação Persuasiva, da qual fui convidado a participar. Em um exemplo extremamente simples, ele se diferenciou rapidamente de tudo aquilo que eu reclamo na auto-ajuda, em específico no filme O Segredo.

A Via Expressa Comunicação recém-lançou um livro sobre Comunicação Persuasiva, escrita por 4 de seus professores (está a venda por R$ 10, quem quiser é só pedir que eu faço a intermediação). Edemilson pegou o livro em mãos, mostoru-o à platéia e perguntou: “Quem quer ganhar este livro inteiramente grátis?”.

Duas ou três pessoas levantaram a mão, outras dezenas brilharam os olhos e alguns se mexeram inquietos na cadeira. A pergunta foi repetida: “Quem quer ganhar este livro inteiramente grátis?”.

Agora o número de mãos erguidas ultrapassa 20, pessoas se inclinam para frente, alguns riem e ouço um “eu quero!” vindo de trás de mim. Edemilson finge que não aconteceu nada, que não escutou, e repete mais algumas vezes exatamente a mesma pergunta. Os risos aumentam, a indignação se torna clara, diversos gritam “eu quero!”, cada vez mais alto. Como Edemilson não pára de oferecer o livro a todos mesmo assim, Hans, um vendedor de párabrisas que assista a palestra se levanta de sua cadeira, vai ao encontro de Edemilson, segura o livro com a mão, e – reparando que Edemilson não tinha soltado – pergunta: “Posso mesmo pegar?”.

Fantástico!
Não sei se você entenderam o que aconteceu ali, mas eu achei uma aula e tanto, só por esse momento que já me valeu a noite.

A auto-não-tão-ajuda

A auto-não-tão-ajuda

O que O Segredo diz?

“Eu passei a visualizar que ao invés de contas, agora seriam cheques que estariam chegando em minha caixa de correspondência. E foi só imaginar isso, cada vez com mais força, que agora é isso que acontece! Eu só recebo cheques e mais cheques pelo Correio!”

Essa foi a frase de um dos entrevistados no filme. Ele só “esqueceu” de comentar ali que tinha escrito um livro. E que os cheques chegavam como pagamento sobre a venda de livros dele. Opa! Então não é tão simples assim, certo? Não é só imaginar o cheque chegando, antes tem que escrever um livro! Exatamente, meus caros.

A dinâmica apresentada pelo Edemilson fala exatamente isso. Você pode saber o que você quer (um livro grátis). Você pode saber como conseguir (o palestrante está segurando um ali na sua frente). Você afirma com todas as palavras que quer, tem certeza disso, e se faz saber (todos gritando “eu quero!”). Mas ele não deu o livro a ninguém.

E é aí que está a beleza da coisa. Hans se levantou e AGIU. Ele se levantou, foi lá e pegou o livro. Ou, no exemplo de O Segredo, o cara não ficou apenas imaginando o dinheiro chegando, como falou. Ele foi lá e escreveu um livro! Ação! Esforço! Trabalho intelectual pesado!

A fé em si mesmo (maior preceito difundido pela auto-ajuda em geral) é de extrema importância. Ela facilita tudo!
Mas convenhamos, ela não faz o trabalho todo sozinnho. Você precisa agir.

(o tema auto-ajuda será ainda tratado mais adiante, opine e vamos ver até que nível de entendimento podemos chegar)

O Segredo

Ontem assisti ao filme O Segredo (The Secret).

É verdade que peguei ele meio sem querer, não era esse o filme que eu intencionava assistir. Como tenho um preconceito bem firme e resolvido contra livros de auto-ajuda, nunca prestei muita atenção no burburinho que se criou em volta do livro, muito menos do filme. Assim, eu não sabia do que se tratava, qual era o tema, e muito menos o que esperar dele.

Vi um trailer na internet que posso qualificar facilmente de “propaganda enganosa”. Mostrava cenas de suspense, ação e falava como se o “segredo” fosse algo conspiratório. Aluguei esperando algo na linha de O Código da Vinci, pois como já havia ouvido muito o nome desse livro, devia ser mais algum filme-enganação como ele.

Assim que coloquei o DVD no aparelho, meu irmão se levantou e deixou a sala, se recusando a ver um filme de auto-ajuda. Eu resolvi pagar pra ver, afinal de contas, o filme já estava alugado.

Me surpreendi duas vezes.

A primeira, negativamente, ao notar que havia sido enganado por um trailer que disfarçava que o filme na realidade era um livro de auto-ajuda dos mais fuleiros como qualquer outro. Ao invés de uma história de suspense e conspiração, me vi em frente a diversos escritores de livros de auto-ajuda dos mais fuleiros como qualquer outro me dizendo como era fácil conseguir tudo o que se espera da vida.

A segunda, quase que positivamente. Acho que uma pessoa que acredita facilmente em todas essas coisas, um religioso das novas seitas ou simplesmente uma pessoa comum (ou seja, com nada na cabeça), ao assistir este filme torna-se imediatamente a criatura mais chata de todo o universo. Isso é facilmente comprovado ao se entrar nas comunidades do Orkut dedicadas ao tema. Bando de ovelhinhas que só trocaram a palavra “Deus” na Bíblia, por “Pensamento Positivo” em O Segredo.

Mas continuando. As pessoas mais intelectualizadas (que eu costumo chamar de inteligentes, pq hj intelectuais não tem a nada a ver com isso), podem fazer um bom proveito desse filme. Tipo, você não precisa ser um mané acéfalo que acredita que vai ganhar um milhão de dólares só porque deseja isso para conseguir tirar coisas de boa utilização do filme/livro.

Mesmo os ateus (e acho que principalmente eles) podem comprovar o poder do pensamento positivo. Não estou falando aqui de boas vibrações, sonhos que se realizam ou preces. Estou falando que se você estiver sorrindo, é muito mais fácil de receber um sorriso de volta.

Se você ver as coisas positivamente, é muito mais fácil das coisas darem certo para você. Não exatamente estarão dando certo, mas você vai encarar elas como se estivessem. Ou seja: é você quem sai ganhando.

Se você vive reclamando de que seus relacionamentos dão errado, é bem provavel que você faça com que isso interfira ainda mais nos seus futuros relacioamentos. Se você acha que sua mãe é um saco, adivinha? Você vai receber cada frase dela como uma encheção de saco, e isso vai fazer com que ela se torne ainda mais chata aos seus olhos.

É tudo uma questão de percepção, de relatividade.

Sério, você não precisa de um livro de auto-ajuda para te dizer isso.

Deixa de ser mané. Perceba um pouquinho melhor o mundo a sua volta.

Você vive endividado? O filme diz para você se visualizar com dinheiro, mas sabe o que eu digo?

Pare de gastar dinheiro com besteira! Compre somente o necessário até conseguir sair do mar de dívidas que você tem. Se livre do seu cartão de crédito! Vai funcionar de uma forma muito melhor, você vai ver.

Mas mesmo assim: Pense Positivo. Não que isso vá fazer com que o universo conspire ao seu favor e te dê de mão beijada tudo que você um dia sonhou em receber. Mas pelo menos você não será um pé no saco reclamando que tudo dá errado. Vai atrair mais gente ao seu lado, pois você se tornará uma melhor companhia. E com isso, uma melhor pessoa. Mais divertida, mais amigável, mais bonita aos olhos dos outros. Isso vai te trazer novos contatos, novas propostas… e adivinha? Vai te trazer dinheiro também.

É assim que a vida funciona.

Se não funcionar pra você? Te mata, mané. Pelo menos assim você não fica no meu ouvido me enchendo o saco e dizendo que a sua vida é uma merda. Adivinha: se sua vida é uma merda. É porque o merda é você!