Duas coisas me chamaram a atenção na edição deste final de semana da Folha de Blumenau.

A primeira, mais engraçada delas, foi o artigo de Maria Emília de Souza em resposta à coluna anterior do Carlos Tonet. Eu adoro a coluna do Tonet, sempre dou boas risadas com o jeito tosco dele de escrever besteiras. É bacana, isso é um elogio. Gosto do politicamente incorreto, principalmente quando se utiliza do politicamente incorreto para tirar sarro dos outros. Isso é uma arte que poucos sabem utilizar bem.

Pois bem, o Tonet tirou sarro da Cufa – Central Única das Favelas – e a Maria Emília respondeu nos dedos do colunista. Vou colocar aqui abaixo só uns pedacinhos do artigo que ela escreveu:

Carlos Tonet comentou (…) de forma preconceituosa e debochada, sobre a Cufa. Movido à raiva política, ignorou e não escreveu o que representa a Cufa. (…) A Cufa atende nossos adolescentes e jovens excluídos, também presente sna cidade de Blumenau – só o Tonet não sabe. (…) O colunista deveria sim, falar do aumento da violência em Blumenau, grande parte envolvendo jovens, e da condição deles que, sem políticas públicas municipais, ficam à mercê do tráfico e sofrem os efeitos das drogas. (…) É melhor atirar-se a luta em busca de dias melhores do que permanecer estático…

Nos dedos!

Assumindo as embaixadinhas

E a segunda coisa que quero comentar é a bem-vinda presença do ilustre Jean Laurindo que assumiu a coluna De Primeira, coluna esportiva da Folha de Blumenau. Algo me diz que poderemos ver alguma inovação no espaço, que um já foi de Everton Siemann e de PC.

Jean trabalhou comigo na redação do Noticenter, e parece buscar um jeito mais jovem de fazer jornalismo. Sei de suas inclinações políticas, culturais e esportivas. Sangue novo sempre é bom. Quebra tudo, Jean!

De olho

Já vieram reclamar que eu pego demais no pé da Folha de Blumenau. Pego mesmo, mas não é por não gostar do jornal. É exatamente pelo contrário. Tenho lembranças ótimas do tempo que fiz parte da equipe da Folha, e defendo com unhas e dentes a permanência dela no primeiro esquadrão do jornalismo blumenauense. Por sinal, um dia ainda gostaria de passar novamente por lá (seria a quarta vez, já). O fato é que o Santa já está encaminhado. Tem suas qualidades e seus vícios. E por mais que vá evoluir muito ainda, não deve arriscar um novo processo tão cedo.

Já a Folha de Blumenau, pode se dar ao luxo de tentar e errar. Ela tem o dever de arriscar o máximo possível. Tem que reconstruir as verdades tidas como absolutas no jornalismo praticado na nossa região. Se ela continuar molenga, seguindo a linha do Santa em tudo, e sendo produzida apenas por estagiários, não vai chegar a lugar nenhum. A Mundi Editora tem uma equipe competente, mas a Folha sempre é deixada em segundo plano.

Gostaria de ver a Folha crescer. Se desenvolver e buscar seu lugar ao sol. Tá na hora de inovar, tá na hora de mostrar a que veio, mostrar todo o seu valor. Só ficar na sombra não dá. Tá na hora de brilhar!

E eu vou pegar no pé até o dia que isso acontecer.

O irmão de Andy veio passar alguns dias em sua casa. Andy adorava o irmão, também tinha muito apreço pela cunhada. Mas havia um problema. O pequeno Charles. O filho do casal era uma pacata criatura: calmo, comportado e inteligente. Até demais. E esse era o problema. Ele tinha um olhar misterioso que perseguia os olhos de Andy pela casa. Ele era um adorável garoto, orgulho de seus pais.  Nenhuma criança em sua idade poderia ser assim: tão perfeito.

Andy passou a andar ressabiado mesmo dentro de casa. Às vezes, enquanto preparava um lanche qualquer na cozinha, virava-se para apanhar algo e dava de cara com o garoto. Ele estava lá, estático, com um sorriso inocente no rosto olhando para Andy como quem está prestes a dizer alguma coisa. Mas ele nunca dizia nada.

(…)

 

Continue lendo esta história de suspense no Duelo de Escritores. É a minha criação para concorrer nesta rodada. O tema? Uma citação:

Nada mais perversamente cruel do que uma adorável criança“.

O papo começou com a Marina Melz e terminou com o Giovanni Ramos. E eu, encucado, resolvi brincar um pouco e montar a minha equipe dos sonhos do jornalismo blumenauense. Pensei em como seria uma estrutura interessante de um jornal impresso, diário, em Blumenau. Não tenho muito interesse em criar um veículo nestes moldes na cidade, acho que é um formato já antiquado. Mas se eu fosse construir o meu jornal dos sonhos, ele teria esta equipe aqui:

EDITORA CHEFE
Danielle Fuchs
EDITORA EXECUTIVA
Letícia da Silva
EDITOR ONLINE
Evandro de Assis

EDITORIA DE GERAL/COMUNIDADE
Editor: Giovanni Ramos
Repórteres: Rafael Waltrick + Henrique Zanotto + Magali Moser + Everton Siemann
EDITORIA DE POLÍTICA
Editor: Alexandre Gonçalves
Repórteres: Rodrigo Pereira + Mariana Paula
EDITORIA DE ECONOMIA
Editor: Carlos Tonet
Repórteres: Rodrigo Pereira + Daiane Costa
EDITORIA DE CULTURA
Editor: Fábio Ricardo
Repórter: Carol Passos
EDITORIA DE ESPORTE
Editor: Rodrigo Braga
Repórteres: Paola Loewe + Fernando Arruda

EDITORIA DE ARTE
Editor: Ricardo Kuhl
Diagramadores: Aderlani Furlaneto + Rômulo Micael + Guilherme Faust
Fotógrafos: Patrick Rodrigues + Rafaela Martins + Daniel Zimmermann

COLUNISTAS
Fabrício Wolff (Pitacos)
PC (Esporte)
Murilo Baca (Automóveis)
Francisco Fresard “Pancho” (Economia)
Denis Pacher (Chargista)

 

Hora das explicações.

Essa equipe é extremamente jovem (tirando o Gonçalves, o Tonet e o Wolff – rá, sacaniei) e seria arriscado criar um jornal com este plantel. Ainda assim, acho que é justamente disso que o jornalismo de nossa região precisa: inovação. Fugir do feijão com arroz que é produzido há tanto tempo e copiado por todos os novos jornais que abrem na cidade. Por isso, me apoiei em pessoas que já vi trabalhando e reconheço a capacidade não só profissional, mas também a de ter boas ideias e reinventar o jornalismo.

Começando do topo, Danielle Fuchs como Editora Chefe do jornal. Dani é editora da Mundi Editora, tem uma grande experiência no cargo e trabalha muito bem. Tem o pé no chão mas gosta de fazer a diferença. De vez em quando se revolta com algo que não sai como ela queria. Para coordenar a equipe e filtrar estes ataques de fúria, nada melhor do que Letícia da Silva.

Letícia é editora de Geral do Santa. É nova e inteligente, tem uma grande capacidade em ver além do superficial e em coordenar equipes. Seria importante tanto para organizar pautas quanto formatar as capas do jornal, por exemplo. Seguindo esta linha, seu parceiro de Santa Evandro de Assis, que hoje coordena as editorias de Política e Economia, seria transformado em um editor de Webjornalismo. Com alguém trabalhando especificamente para o conteúdo online, o site do veículo ganharia força e poderia fugir básico de copiar conteúdo do jornal impresso. Sei que nossa realidade blumenauense não permitiria uma equipe completa de online. Por isso, o editor utilizaria os repórteres do impresso.

Chegamos às editorias:

No Geral, o foco seria uma visão bem “comunidade”. Para campos mais amplos, já temos a internet. O impresso teria que buscar pautas no ponto de ônibus, na fila da padaria, falar a voz da comunidade. E não vejo este perfil em nenhum dos editores de Geral da cidade. Por isso escalo Giovanni Ramos, mentor do Controversas e repórter do Correio do Povo. Já mostrou com seu site que consegue buscar pautas bem populares. Na equipe de reportagem, Rafael Waltrick (grandes reportagens é com ele mesmo), Magali Moser (a voz da favela, hehe), Henrique Zanotto (tem uma identidade muito forte junto à comunidade) e Everton Siemann (o repórter mais chato da cidade, que cutuca até arrancar a notícia).

Em Política, o grande Alexandre Gonçalves, da RIC Record, é nome certo. Em seu blog ele mostra que trabalha este assunto como nenhum outro. Para auxiliá-lo nesta questão, Rodrigo Pereira, mentor do Análise em Foco, funcionaria como uma mistura de repórter e editor assistente, com liberdade para fazer as principais entrevistas tanto de Política quanto de Economia. Mariana Paula, também da RIC completa o time, focando o relacionamento pessoal com as personalidades políticas da cidade (Everton Siemann ainda seria muito útil em matérias junto à Câmara de Vereadores).

Na editoria de Economia temos Carlos Tonet, do Noticenter, que já tem muito chão percorrido no universo do jornalismo econômico. Ele teria à disposição, além da experiência de Rodrigo Pereira, a repórter Daiane Costa, que sempre realizou um bom trabalho no Santa.

A Cultura ficaria a cargo deste que vos fala, Fábio Ricardo, relembrando os tempos de Folhetim, quando o caderno cultural da Folha de Blumenau ainda trabalhava de verdade os temas locais, fugindo da programação de TV. E a força da editoria estaria justamente nas mãos habilidosas de Carol Passos, ex-Santa e atual Nanu!, a melhor repórter de Cultura da cidade.

Para falar de Esporte, nada melhor que Rodrigo Braga, que já cumpre essa função no Santa, acompanhado de sua ex-repórter Paola Loewe, que acabou de se mudar para o DC, e de Fernando Arruda, ex-Diarinho e que hoje faz parte da equipe do Santa no litoral.

O corpo editorial é esse. Completando a equipe ainda temos:

Ricardo Kuhl (ex-editor de arte da Mundi, atual Ferver Comunicação) liderando a editoria de Arte. Sob o comando dele, três habilidosos das artes gráficas: Aderlani Furlaneto (Santa), Rômulo Micael (R2 e Viax Educação) e Guilherme Faust (Mundi Editora). Para captar as imagens, a fotografia de Patrick Rodrigues, Rafaela Martins e Daniel Zimmermann (os dois primeiros do Santa, lapidando o Daniel do Análise em Foco).

Chamaria ainda Fabrício Wolff para manter uma coluna de Pitacos no estilo “Ponto Final” da Folha, PC para comentar o Esporte local, Murilo Baca (do Análise em Foco) para uma coluna de Automóveis junto aos Classificados e Francisco Fresard, o Pancho, para uma coluna nos moldes da que ele já mantém no Santa, apenas com uma liberdade maior de assuntos a serem tratados. Denis Pacher enviaria diariamente suas charges fantásticas.

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O corpo do jornal tem 25 profissionais trabalhando diariamente no veículo, e ainda contaria com os cinco colunistas que poderiam mandar sua participação. A forma de fazer o jornal é outro papo, aqui está apenas a equipe.

Diz aí, quem você chamaria que eu não chamei? No lugar de quem?

 

Aderlani Furlaneto

Gárgula de pedra

Coração depreda

me olha do espelho

Fábio Ricardo – 04/11/09

Caralho, que barulho foi esse? Merda, merda, deve ser aquele filho da puta de novo. Cadê a espingarda? Ô mãe, tu ouviu? Tu ouviu o barulho? Deve de ser aquele filho da puta de novo. No meu gado ninguém mexe mais. Se eu pego esse safado não sobra nada, ah… mas não sobra mesmo. Mãe, cadê a espingarda? Não, nem vem com papo, dessa vez esse filho da puta não me escapa. Safado, sem vergonha. Não aprendeu da última vez, não é agora que vai aprender. Vou meter é uma bala nesse filho da puta. Sai da frente, mãe. Deve estar aqui em algum lugar.

Ô homem, acorda, homem. Teu filho enlouqueceu. Vai lá falar com ele homem, vai lá. Levanta dessa cama, desgraça. Ele vai pegar a espingarda, não deixa ele fazer isso. E se o bandido estiver armado? Não deixa ele ir lá fora não, que ele vai fazer besteira. E se teu filho toma um tiro, homem? Faz algo! Anda!

Filho, tá aqui a espingarda. Pega as balas ali naquela gaveta. Não diz pra tua mãe. Falei pra ela que tá descarregada. Pega a espingarda que eu vou de facão, eu ouvi o barulho vindo lá do galpão. Faz o seguinte, vai pela frente, com a espingarda. Se ele te ver, ele vai correr lá pros fundos, e daí eu vou esperar ele lá. Tu vai pela frente que eu dou a volta e vou por trás. Assim a gente pega esse desgraçado de uma vez por todas. Se ele vier na tua direção tu atira, que é pra assustar o filho da puta. Eu vou vir por trás, vou cercar ele. Dessa vez ele não escapa.

Ô Caralho, que escuro de merda. Esse barulho tá vindo ali de dentro, dessa vez eu pego o safado. Vem cá, corno, aparece que eu te meto uma bala no meio da fuça. No meu gado ninguém mexe não, não dessa vez. Porra, não dá de ver nada, tá tudo escuro aqui dentro. Mas não posso acender a luz que senão ele vai me ver. Já sei, vou é encurralar esse filho da puta. Se ele correr o pai pega lá atrás, então o melhor é partir pra cima e já sair atirando. Agora tu vai aprender a não mexer no que é do outro, filho da puta.

Nãããão! Que foi isso? Zé, que foi que tu fez? Tu matou o homem, seu maluco! E agora, o que a gente faz? Vai dar polícia, vai dar tudo? Ai meu Deus, o que a gente faz?

Calma, mãe! Peguei o filho da puta. Chama o pai pra ele me ajudar a carregar ele daqui. Pai, peguei ele! Paiê, cadê o senhor? Ô diabos, cadê o velho? Só me faltava ter que arrastar esse desgraçado daqui sozinho. Fica parado aí, filho da puta. Se tu se mexer te mando mais uma bala. Pai? Pai? PAI? Caralho, que merdaquemerdaquemerda. Mãe… ah meu deus, mãe! Acertei o pai. Mãe, liga pro Samu que acertei o pai. Pai, levanta pai. Fala comigo, pai.

Meu deus, filho o que tu fez. Tu matou teu pai, tu matou teu pai. Falei pra não andar armado, tu matou teu pai. Homem, se mexe, homem. Ah meu Deus, meu Deus, misericórdia.

Pai, levanta. Levanta, pai. Se mexe, diz alguma coisa pelo amor de Deus.

Tu matou teu pai. Tu matou teu pai. Jesus, tu matou teu pai.

Meu velho avô sempre me dizia que… Eu tenho essa mania. Essa mania meio boba de citar meu velho avô sempre que vou dar algum conselho sábio a alguém. A verdade é que meu avô nunca me disse nenhum destes conselhos que repasso. São conselhos meus mesmo, cheios da sabedoria de quem ainda não viveu muito do que tem para viver.

Mas de certa forma, os conselhos ficam muito mais bonitos quando repassados pelo meu velho avô. Sem contar na credibilidade. É muito mais fácil algum de meus amigos seguir um conselho que foi passado de geração em geração e condiz com o que ele está sentindo no momento, como que por milagre ou coincidência do destino, do que acreditar num conselho dado por mim. Inventado na hora, de supetão e sem bases de apoio além das morais, lógicas e sentimentais de um garoto de seus vinte e poucos anos.

Mas a verdade é que meu avô nunca me deu tais conselhos. Ele poderia ter me dado conselhos sobre como eu deveria me manter longe das drogas, tanto as legais quanto as ilegais, pois elas, mais cedo ou mais tarde, viriam cobrar seu preço. Poderia ter me dado conselhos sobre a importância do exercício físico, sobre como é bom estar em contato direto com a terra, pois ela purifica teus pensamentos, como um homem sempre deve estar preparado para ultrapassar um obstáculo, seja ele qual for. Poderia me dizer sobre como o homem deve imitar os animais selvagens, que temos muito a aprender sobre a vida com eles, ou sobre como o humor é necessário para que não acabemos todos loucos.

Mas nunca me disse nada disso. Lembro claramente dos únicos conselhos que meu velho avô verdadeiramente me ensinou. Foram dois:

Filho (nunca entendi , quando criança, porque ele me chamava de filho, se na verdade eu era seu neto), nunca se esqueça de duas coisas. Barbeador descartável não presta, e nunca compre nada que venha num pote de plástico azul. Simples assim. Toda sua enorme sabedoria resumida em dois conselhos sobre como fazer a barba. Justo para mim, que não faço a barba.

Ele disse isso quando segurava em suas mãos um barbeador descartável de meu pai. Logo ali na prateleira, os itens que ele carregava consigo nas viagens, para cuidar da aparência. Meu avô apontou o frasco de pós barba, em plástico azul. Ele falava com leveza, aconselhava com sabedoria. O barbeador descartável, por ser feito para logo ser jogado fora, não tinha a mesma qualidade dos outros. Você ia acabar se cortando ou tendo uma barba mal feita. Nunca iria conseguir um deslizar suave pela pele com um aparelho que já foi concebido com o intuito de virar lixo logo depois. E os potes azuis eram de uma obviedade que só fui perceber com o passar dos anos. Ninguém coloca um perfume caríssimo nos potes de plástico azul. Estas embalagens escondem, exclusivamente, produtos de qualidade duvidosa. Se você quer algo realmente bom para acalmar os poros de sua pele após fazer a barba, fique longe destas embalagens.

Meu avô poderia ter me ensinado sobre a vida, sobre amores, sobre família, sobre respeito, sobre esforço, sobre hobbys, sobre alegria, sobre saudades, sobre coragem, sobre o existir. De certa forma, ele o fez. Mas conselhos, ele só me deu dois.

Mas como dizia meu velho avô…  conselho nada mais é do que uma verdade inventada, que usamos apenas para parecermos mais sábios.

Todo homem que se considera dono da razão deveria ter um pé atrás com poetas. Não estou falando de Quintana, nem nada desta estirpe, fique tranquilo. Falo dos ditos poetas que toda cidade tem. Os poetas que escrevem poemas.  Os poetas que enaltecem a beleza das flores e das borboletas. Os poetas que se deixam ruborizar com um palavrão ou que acham que estes não cabem em poesias.

São poetas que não fazem poesias, escrevem poemas. O poema nada mais é do que um jogo de palavras bonitinhas e “rimandinhas“, para agradar ao leitor. Já escrevi um tanto destes, assim como tenho certeza de que meu filho, ao se alfabetizar, também escreverá outros tantos na vã esperança de conquistar o coração de uma menina loira. Desculpem-me as morenas, mas é verdade. O primeiro poema de um garoto é sempre para uma menina loira. Só depois de mais velho e experiente é que nós, garotos bobos, percebemos as qualidades de uma morena. E todas as vantagens de se relacionar com elas. Mas isso é assunto para outro dia.

A tentativa de conquistar essa menininha com um poema será um fracasso, devo avisar desde já. Sinto lhe informar, meu filho que ainda não existe, que elas não gostam dos poetas e românticos. Elas gostam é dos canalhas. Elas até se divertem com os poemas, tecem comentários como “que fofinho” ou “bonitinho”. Mas, na verdade, o que querem entre suas pernas ao cair da noite é a barba mal feita de um canalha. Mas isso também é assunto para uma outra crônica.

Voltemos aos poetas. Ou aos ditos poetas, como preferir. Toda cidade está cheia deles. Reúnem-se em academias, salas de teatros, sociedades ou na sala de estar de um dos integrantes de cada turma. Reúnem-se na sala de estar para declamar poemas. Até posso imaginar a cena: levantam-se, bloquinhos em punho, e lêem seus poemas, falando sobre as borboletas, os passarinhos, os amores. Os outros ditos poetas, em círculo, sentados em seus sofás confortáveis, colocam as xícaras de chá apoiadas delicadamente na mesinha de centro e batem palmas com sorrisos débeis no rosto.

Ditos poetas, digo eu. O que aconteceu com os boêmios, com as cervejas, vinhos e doses servidas no balcão do bar ao homem solitário? O que aconteceu com as barbas mal feitas, os bigodes desafiadores da moda e da elegância, aquele brilho de superioridade no olhar? Não venham me dizer que com aplausos e sorrisos se faz poesia, pois não faz. Isso faz poemas. Poemas que a academia tanto adora, poemas com rimas, sejam ricas ou pobres, poemas com muita métrica e pouco tesão.

Só o tesão transforma um poema numa poesia. O tesão é necessário. A poesia precisa ser orgásmica. Não existe poesia morna. A poesia pode falar de sofrimentos, de dor, de paixão, de pele, de suor, de veneno, de falta, de exagero ou do que bem entender. Mas toda poesia necessita de tesão, necessita de orgasmo. Uma poesia sem um orgasmo é apenas desperdício de palavras num pedaço de papel. Vira poema.

Poemas são palavras. Poesias vão muito além. Poesias são verdadeiramente sentidas. Poesias são sentimentos. Os ditos poetas que me desculpem, mas poesia se faz com o pau pra fora.

Bum-baba. Bum-baba. Bum-baba. Era esse o som que fazia, ao menos em minha cabeça, aquela bunda ali na minha frente. Era uma bunda grande, exagerada, garbosa na calça legging preta que brilhava à luz do sol. Não era uma mulher. Era apenas uma bunda. Uma saborosa e exagerada bunda.

Não que eu não dê valor às mulheres, claro que dou. Mas naquele caso, não havia mulher. Ou não havia, ou eu que não a via. Era apenas a bunda, em todo seu esplendor, passeando na calçada. Eu diminuí o passo, evitando a ultrapassagem natural, e passei a seguir aquelas nádegas. Bum-baba. Bum-baba.

Eu não olhava mais para os lados, não olhava para a frente, não olhava para o chão. Via apenas a bunda, a bunda era tudo que existia. Era uma bunda livre. Não ficava encolhida e esmagada dentro de uma calça jeans, não tinha vergonha de se mostrar. Ela sacolejava livre, exibida, de uma lado para o outro, entoando seu mantra: bum-baba, bum-baba.

Era uma bunda grande, com as beiradas levemente caídas, mas ainda em forma. Era uma bunda gostosa, dona de vida própria, dona de uma volúpia admitida, que engolia a calcinha minúscula entre as nádegas e se mostrava por inteira a quem quisesse ver. Não estava coberta pela camiseta, muito menos por um casaco amarrado na cintura, se mostrava e sorria aos homens que a desejavam. Se mostrava para se sentir desejada.

A bunda parou à minha frente, sumindo através do portão de um escritório qualquer de contabilidade. Acordei como que de um sono eterno, perdido, olhando para os lados apenas para descobrir que não sabia onde estava. Para onde havia caminhado?

Não sabia para onde ir, não sabia o que fazer, havia sido enfeitiçado pelo som invisível da bunda. Bum-baba. Bum-baba. Caminhei até o boteco do outro lado da rua e pedi uma cerveja. Virado para a rua, copo em punho, olhei para o relógio. Mais quatro horas e aquela bunda voltaria a surgir.

Boas novas!

Os três caranguejos são desta raça aqui. Dois machos e uma fêmea.

Os três caranguejos são desta raça aqui. Dois machos e uma fêmea.

Três novos membros passam a fazer parte da família a partir deste final de semana. Logan, Wolverine e Arma X (também conhecida como Lady Letal) são os novos moradores do Clã Oliveira.

Os três são caranguejos de aquário que, com suas garras despreporcionalmente grandes, passam a fazer parte do dia-a-dia e da decoração lá de casa.

Os três pequenos são divertidos e brigões. Impossível não ficar olhando pra eles comerem ou combaterem entre si. Vida nova e divertida! Em breve fotos deles!

No próximo dia 1 de novembro, o projeto literário Duelo de Escritores completa 2 anos de formação!

Para começar bem o “ano 3″, diversas serão as mudanças.

A principal deles será devido ao afastamento de Félix Rosumek e Thiago Floriano. Os dois duelistas pediram para deixar o projeto pelas dificuldades de manter o ritmo alucinante de trabalho com a produção incessante de textos do Duelo.

Para isso, no dia 1 de novembro, o Duelo já reinicia sua jornada com 2 novos duelistas e de casa nova: o WordPress. Podem ficar tranquilos, o endereço www.duelodeescritores.com continua o mesmo.

Em breve, o nome dos novos Duelistas!

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